quinta-feira, 29 de abril de 2010

MARINA ABRAMOVIC – Performance



Nesta performance chamada O ARTISTA ESTÁ PRESENTE, no MOMA em New York, Abramovic coloca ela própria como obra/instalação que pode ser observada por visitantes que podem, por sua vez, sentar-se à sua frente e serem observados por ela. Abramovic passava todas as horas do dia sentada na cadeira, sem sair, e quando alguém sentava a sua frente, ela encarava a pessoa fixamente, até o momento em que ela saísse. Aparentemente a idéia era fazer com que as pessoas dessem um “tempo” no seu dia-à-dia apressado para simplesmente parar e observar outra pessoa e tentar, talvez uma conexão com o outro, coisa que normalmente não podemos ou temos dificuldade de fazer na vida normal.

O que é Performance?

(Texto retirado da Wikipédia)

“A Performance, Art performance ou Performance Artistística é uma modalidade de manifestação artística interdisciplinar que pode combinar teatro, música, poesia ou vídeo. É característica da segunda metade do século XX, mas suas origens estão ligadas aos movimentos de vanguarda (dadaísmo, futurismo, Bauhaus, etc.) do início do século passado.

Difere do happening por ser mais cuidadosamente elaborada e não envolver necessariamente a participação dos espectadores. Em geral, segue um "roteiro" previamente definido, podendo ser reproduzida em outros momentos ou locais. É realizada para uma platéia quase sempre restrita ou mesmo ausente e, assim, depende de registros - através de fotografias, vídeos e/ou memoriais descritivos - para se tornar conhecida do público.”

A Performance é o vale-tudo das artes, onde nada é proibido e tudo é permitido.

terça-feira, 27 de abril de 2010

CAPRICHO 992

Talvez devessemos tentar uma cruz.


Como os feriados nunca acabam, essa coluna também não. Então, olha aí...

A VERDADEIRA ORIGEM DOS FERIADOS? – PARTE II

CORPUS CHRISTI – Dia de tirar uma folga para comer hóstia, mas se você acha esse programa meio sem sal, chame a galera e vá comer numa pizzaria. A pizza também é massa de pão e é redondinha que nem hóstia, logo, não é pecado.

INDEPENDÊNCIA DO BRASIL – Dia em que o Brasil dá seu grito de independência e passa para a inadimplência, começando a dever os tubos para a Inglaterra, França, Estados Unidos...

NOSSA SENHORA APARECIDA – Esse feriado é sempre uma surpresa, pois nunca se sabe onde a santa vai aparecer da próxima vez, seja em uma gruta em Fátima, ou em um mousse de maracujá.

FINADOS – Esse é o feriado mais macabro de todos, onde nós devemos lembrar dos mortos, pois é graças a eles que estamos aqui. Então, lembre deles no próximo feriado, pois você nunca sabe se no outro, quem será lembrada será... você! HUÁ!HUÁ!HUÁ HUÁ! (gargalhada ultra-gótica!)

PROCLAMAÇÃO DA REPÚBLICA – Um dia os militares acharam que a monarquia andava roubando muito nesse país e decidiram acabar com aquela palhaçada proclamando a República, onde eles poderiam começar a roubar também. Mais tarde eles liberaram a roubalheira para os civis também e a gente viu no que deu.

NATAL – Feriado que comemora o nascimento de Cristo, que na verdade não nasceu nesta data coisas nenhuma, pois o calendário era outro na época dele. Mas principalmente, o Natal é uma época de dar presentes para compensar a falta de amor e carinho que existe entre a humanidade. Amém.


Jerri Dias acha que está faltando feriado nesse país.


quinta-feira, 22 de abril de 2010

OS MAIORES SUPER-HERÓIS DO MUNDO – Comics

Parte central do poster encartado nesta edição de luxo.
Clique nas imagens para ampliar e adimirar as belíssimas pinturas de Ross.

Este álbum de luxo de 400 páginas em tamanho gigante é uma coletânea em capa dura das graphic novels lançadas originalmente separadas para as bancas de revistas entre os anos de 1998 e 2003 e contendo as histórias escritas por Paul Dini e ilustradas por Alex Ross.

Os Autores

Paul Dini foi produtor e escritor de vários episódios das versões animadas modernas para TV de Batman, Superman e Liga da Justiça. Com roteiros divertidos e muitas vezes mais maduros e inteligentes do que os próprios quadrinhos nos quais se inspirava, Dini produziu e escreveu animações de super-heróis para crianças que um adulto poderia assistir e apreciar sem ficar constrangido.

Alex Ross é considerado um dos maiores ilustradores de super-heróis desde que estourou em 1994 com MARVELS, uma mini-série recontando parte da história do universo MARVEL, onde suas ilustrações realistas e influenciadas por grandes pintores levaram os leitores ao delírio.

A Coletânea

Apresentando e tentando colocar os maiores super-heróis da DC COMICS em situações mais realistas, pé-no-chão e com viés político, a coletânea contém as seguintes histórias:

SUPERMAN: PAZ NA TERRA

Superman finalmente vai dar jeito no mundo?

Nesta bela, porém ingênua história, Superman, em uma noite de Natal, finalmente se dá conta, depois de anos e anos salvando gatinhos de árvores e o mundo de invasões alienígenas, que existem problemas como a FOME, que mata milhões por ano ao redor do mundo.

Bem, de qualquer forma, a questão aqui não é criticar o Homem de Aço em si, pois apesar de tudo, ele é apenas um personagem de papel que por força da cultura popular, acabou tornando-se o expoente máximo do super-herói e um mito moderno.

E como personagem de uma editora que já o jogou na mão de centenas de roteiristas, Kal-El já passou pelas mais absurdas situações, assim como pelas mais emocionantes e criativas.

PAZ NA TERRA é uma tentativa interessante de mostrar como o maior de todos os super-heróis poderia confrontar um problema real e que não pode ser resolvido com mera violência.

Vale lembrar que o universo dos super-heróis em geral, apesar de ter eventos históricos e problemas similares ao universo real, sua violência e tragédias nunca são tão cruéis ou abrangentes quanto no nosso. É um universo onde os pobres não são tão pobres, onde muitos se ferem, mas poucos realmente morrem, onde as pessoas são menos cínicas e tem mais fé no homem e no próximo. Ou seja, um mundo quase ideal.

Quase uma super versão de Lula, Superman, decide então, criar sua própria campanha FOME ZERO ao redor do mundo, levando todo o excedente agrícola produzido nos EUA para o resto do mundo durante 24 horas. É um gesto simbólico que visa chamar atenção do resto do mundo para a fome e tentar fazer com que os países passem a contribuir sempre.

Dini tenta diluir a ingenuidade de sua história com manchetes da mídia chamando Superman de “Estrangeiro Desorientado”, mas na cena em que Superman traz comida para uma favela no Rio de Janeiro, Dini demonstra que não fez seu trabalho de casa, colocando o herói levando comida para meninos de rua em uma área onde o problema não são realmente crianças famintas, mas sim crianças portando fuzis e armas de todo tipo e servindo o narcotráfico. Superman passa pela favela e não vê nada disso. E ninguém precisa de super-visão para perceber isso. Se tivesse visitado o sertão nordestino, a comida seria mais bem aproveitada.

Pelo menos Dini soube notar o paradoxo riqueza/probreza do Brasil.

Mas logo Dini começa a acertar levando Superman para regiões em conflito nos balcãs, campos de refugiados na África e países dominados por ditadores.

Novamente colocado em uma situação onde poderia mudar realmente o rumo das coisas, Superman nada faz, evidenciando seu papel como símbolo de bondade e justiça e nada mais.

Se Dini criou essas situações de forma consciente, sabendo que Superman nada pode fazer, enquanto mero símbolo, perante crimes reais contra a humanidade, ele é um gênio.

BATMAN: GUERRA AO CRIME

Esse belo painel de Ross é uma pequena obra-prima em estudo de perspectiva.

Batman sempre foi o melhor herói da DC COMICS. É o mais respietado e temido por todos e ainda assim, não possui poder algum. Mas seu caráter depressivo e vingativo fizeram dele o mais realista e humano dos super-heróis na visão de vários roteiristas.

Nesta graphic novel, Batman se vê as voltas com bandidos comuns: assaltantes de lojas, traficantes e criminosos de colarinho-branco.

Ao presenciar um jovem se tornar órfão como ele próprio se tornara e cuja tragédia o levou a se tornar o Batman, o Cavaleiro das Trevas decide encampar uma verdadeira guerra em um bairro pobre de Gotham City, onde ele descobre, que lá, como aqui, as crianças também são cooptadas para trabalhar no tráfico de drogas.

E na sua vida civil, Bruce Wayne, decide também passar a investir parte de sua fortuna em obras que tragam mais educação e empregos para o bairro.

Mais um conto moral, a idéia de Dini é querer mostrar ao leitor comum que quem faz a diferença no mundo são as pessoas comuns e não heróis fantasiados.

Batman, apesar de salvar vidas e prender malfeitores, não passa de um super-policial honesto, competente e eficaz.

E nada mais.

SHAZAM: O PODER DA ESPERANÇA

Um belo poster do Capitão Marvel. Um entre as dezenas que Ross produziu dos heróis da DC.

Capitão Marvel foi criado como uma cópia do próprio Superman nos anos 40 e após algumas disputas judiciais acabou indo parar na editora do último.

Sua origem, entretanto, é sobrenatural: o adolescente Billy Batson é agraciado com os poderes dos desuses gregos ao dizer a palavra mágica SHAZAM, transformando-se no mortal mais poderoso da Terra.

O roteiro de Dini avança um pouco mais na vida do órfão Billy Batson, que apesar de virar um adulto super-poderoso, é um menor de idade que tem que se virar em um mundo de adultos e enfrenta alguns problemas práticos de um adolescente que vive sozinho.

Aproveitando justamente essa situação, Dini coloca Marvel em contato com um grupo de crianças em um hospital.

Por ser uma criança em corpo de adulto, Marvel sempre foi o herói mais ingênuo e infantil da DC COMICS e por isso, a editora nunca soube direito o que fazer com ele, visto que a maioria do super-heróis, desde os anos 80, tem migrado para um lado mais realista e sombrio.

Mas nas mãos de um bom roteirista como Dini, Marvel é usado como um super-herói que pode intervir no mundo infantil porque ele, em essência, também é uma criança. Mas no mundo infantil de Dini, a violência doméstica e o câncer são mais vilões que Marvel deve combater ou aceitar.

E como Billy Batson, ele pode continuar órfão, mas isso não quer dizer necessariamente sozinho.

MULHER-MARAVILHA: O ESPÍRITO DA VERDADE

A feminista e libertária Mulher-Maravilha exibe seu escultural corpo de deusa grega para muçulmanas não tão feministas assim.

A Mulher-Maravilha é a super-feminista por excelência. Criada pelo psicólogo William Moulton Marston, ele a idealizou para ser um modelo para jovens meninas e para divulgar a igualdade dos gêneros.

Inspirada pelas amazonas dos mitos gregos, a Mulher-Maravilha é enviada pelas irmãs guerreiras ao mundo dos homens para ser embaixadora da paz, justiça e amor.

Mas como todo super-herói, a princesa Diana acaba fazendo de sua vida uma luta sem fim contra super-vilões e vilãs, e raramente tem tempo para cumprir com seu objetivo incial.

Nesta história, Diana realmente tenta realizar seu trabalho como embaixadora, tentando trazer paz e resolver conflitos em países politicamente instáveis.

E em termos políticos, esta é a melhor história desta coletânea, pois a cena em que a super-heroína feminista vestindo as cores da bandeira americana é apedrejada por muçulmanas por causa de seus trajes sumários é um achado ideológico e visual.

Diante deste e de outros momentos constrangedores por causa de sua roupa e super-poderes diante das pessoas comuns e principalmente do medo dos homens diante de mulheres poderosas demais, Dini coloca a Mulher-Maravilha disfarçada em diversos papéis femininos em atividades políticas, onde ela pode exercer seus poderes de forma discreta, invisível e eficaz.

Como sempre foi o trabalho das mulheres.

LJA: ORIGENS SECRETAS

Uma das páginas da origem do FLASH.

Esta graphic novel é mais uma introdução a uma aventura do que qualquer outra coisa. Um breve prólogo e epílogo servem apenas de elo para uma apresentação em painéis de duas páginas contando a origem dos principais heróis da DC COMICS.
Vale mais pelas bela síntese ilustrada do que pelo texto.
Ah, e LJA é abreviação para LIGA DA JUSTIÇA DA AMÉRICA

A origem de BATMAN.

LJA: LIBERDADE E JUSTIÇA

Os maiores super-heróis do mundo enfrentam uma ameaça atual.

Nesta aventura, a Liga da Justiça enfrenta um vilão extraterrestre que não busca dominar ou destruir o mundo.

O vilão? Um simples vírus.

Iniciado em uma região da África tropical, o vírus tende a se espalhar rapidamente pelo ar e as nações vizinhas em pânico, tentam esterilizar a região com mísseis, sem se importar com as pessoas que vivem lá.

O vírus paralisa as pessoas imediatamente e as mata aos poucos

Uma metáfora suave da AIDS em seu primórdios, quando todos tinham medo de ser infectados e se falava mesmo em campos de concentração para aidéticos.

Os heróis são novamente colocados em uma situação adversa, onde tem que atuar como espiões, guarda da paz, cientistas e médicos, na tentativa de coibir o pânico e criar uma vacina para o vírus.

O Lanterna Verde da Era de Prata dos quadrinhos é um dos vários heróis que desfilam nesta aventura.
Aguarde o filme no ano que vem.

O roteiro vai um pouco mais além disso e ainda tenta discutir o papel dos super-heróis no mundo real.

Nada profundo ou tão realista como WATCHMEN ou MIRACLEMAN, mas ainda assim uma tentativa válida.

Considerações Finais

Aquaman toma o lugar do Greepeace na proteção às baleias.

OS MAIORES SUPER-HERÓIS DO MUNDO é uma obra que todo amante de quadrinhos e super-heróis deveria ler, não só por ser mais uma (boa) tentativa de colocar super-heróis em situações mais humanas, como também pela esplendorosa arte de Alex Ross, que com sua visão única, retrata eles como verdadeiros deuses modernos, tão nobres quanto divinos, e como exemplos a serem seguidosa nesse nosso mundo cada vez mais cínico e carente de respeito e altruísmo.

"As coisas acontecem no mundo por causa dos esforços de dedicadas e corajosas pessoas cujos nomes ninguém conhece. E que vão desaparecer da História."
Noam Chomsky

Quer comprar?

Capa e contra-capa do álbum de luxo.

NOVO – Clique nos banners das livrarias ao lado e digite OS MAIORES SUPER-HERÓIS DO MUNDO na busca.

Usado


Boa leitura.

quinta-feira, 15 de abril de 2010

MICHAEL SHANON – Dança





Michael Shannon tem 38 anos e é coreógrafo da Configuration Dance Theatre, companhia de dança descrita pela prestigiada Dance Magazine como uma “galeria de arte viva”.
Não sou muito fã de balé contemporâneo, mas o talento e a plasticidade dessa coreografia me chamou a atenção.
Sem falar na bailarina morena de cabelos curtos ;-)

terça-feira, 13 de abril de 2010

CAPRICHO 991

"Não... consigo... colocar... meu... chinelo!"
O Coelhinho da Páscoa ganha um despertar violento.

Chegou a Páscoa, Tiradentes, Dia do Trabalho. Mas você já imaginou...

A VERDADEIRA ORIGEM DOS FERIADOS? – PARTE I

ANO NOVO – Este feriado surgiu quando alguém achou que no primeiro dia do ano, ninguém devia trabalhar, afinal o ano acabou de começar, ainda tem 364 dia para fazer as coisas. Historiadores atribuem sua criação a um baiano.

CARNAVAL – O feriado de Carnaval nasceu de festas pagãs onde todos dançavam pelados e era todo mundo se pegando, todo mundo se querendo, uma loucura. Aí vieram os cristãos e acabaram com aquela zorra toda. Agora o Carnaval é essa festa família bem comportada.

SEXTA-FEIRA SANTA – Feriado criado na sexta-feira em que Jesus multiplicou os pães e os peixes e todo mundo teve que se contentar com pão com sardinha. Esse é o feriado santo que saiu pela culatra, pois ao invés de só caírem na farra e cometerem todos os pecados na sexta à noite, as pessoas já começam a via sacra das baladas na quinta-feira.

PÁSCOA – Milhares de anos atrás, um pai muito malvado não tinha uma galinha para fazer ovos de Páscoa para seus filhos gordos e chatos e capturou um coelho branco na floresta. Ele disse que era só as crianças darem comida para o coelho e logo saíram bolinhas de chocolate do outro lado. Hoje, comemos ovinhos de chocolate para lembrar daquelas pobres criancinhas enganadas pelo papai malvado.

TIRADENTES – Como dentistas nunca foram muito populares, Tiradentes é que pagou o pato no lugar dos outros inconfidentes que escaparam de mansinho. Seu único consolo foi de que todos eles acabariam seus dias com os dentes cariados e banguelas.

DIA DO TRABALHO – Esse dia foi criado por patrões desalmados, que acharam que nesse dia, poderiam fazer seus empregados trabalharem 24 horas sem parar. O que faz sentido, já que quando é carnaval, você pula carnaval, quando é natal, você comemora natal, mas quando é dia do trabalho, ninguém trabalha?! É por isso que esse país não vai pra frente!

Jerri Dias faz feriado todo dia.


140.000 VISITAS!

Até que tá bom... :-)




quinta-feira, 8 de abril de 2010

“ QUERIDO DIÁRIO...” - Memória

Velhas noites de boêmia no Tutti Giorni com meus amigos.
Muitas idéias na cabeça e nenhum dinheiro no bolso.
Na foto: Kátia, eu, Rod e Drégus.

Quando eu tinha 21 anos, passei pelo trauma de perder meu primeiro grande amor para outra pessoa. Nessa época, toda a insegurança, masoquismo e auto-piedade que havia sentido dos 15 aos 19 anos, voltaram com uma força muito grande e quase incontrolável e eu me castigava psicologicamente quase todo dia e influenciado pela personagem Rachel do livro SHIKASTA de Doris Lessing, resolvi escrever um diário onde eu fosse totalmente sincero sobre minha vida e através dele conseguisse produzir insights e reflexões decentes sobre minha vida. E o principal, desabafar um pouco o meu sofrimento, que agora sei, eu era o principal causador.

Não sei se fui bem sucedido nisso, mas de qualquer forma, fiquei com um relato de 600 páginas sobre como eu me sentia entre 07.03.1989 e 06.07.1992. Ou seja, dos meus 21 aos 24 anos. É tudo um tanto patético e depressivo, mas enfim, é como eu era e me sentia naquela época. Muito mais imaturo e burro do que sou hoje. Mas hoje eu lido bem com isso, ou pelo menos acho que sim...

Eu não sou mais esse cara que está naquelas páginas, mas ele é parte minha, assim como eu serei parte do Jerri de 2030. Mas às vezes esse Jerri antigo reaparece, como quando minha ex-mulher foi embora. Mas pra minha sorte, ele não é mais tão forte quanto costumava ser.

Acho que foi uma boa experiência e teria sido bom continuá-la. Hoje muita gente faz isso em blogs confessionais, e algumas pessoas se expõem um pouco, outras se expõem demais, deixando que todo e qualquer desconhecido fique sabendo de sua intimidade. Isso pode ter seus efeitos negativos e positivos, como fazer amigos verdadeiros, ter seus textos publicados ou em alguns casos menos felizes, deixar pessoas que não gostam de você ter acesso à sua vida particular.

Eu acho que as pessoas que postam tudo sobre suas vidas em blogs são muito corajosas, mas também um pouco idiotas por fazerem isso. Mas as admiro, de qualquer forma.

Mas pra não ficar só na minha opinião, decidi ser um pouco corajoso e idiota e publicar aqui alguns trechos dos meus diários e pra não arriscar fazer censura de nada, selecionei trechos aleatórios com a ajuda de um dado.

Claro, os nomes foram trocados, pois a maioria dessas pessoas ainda fazem parte de minha vida.

TRECHOS DO CADERNO DE ANOTAÇÕES I

07.03.1989

(...) Que merda! Pensei na Fernanda, Nina e Tatiana. Vamos por partes. Primeiro a Fernanda. Fico pensando se ela não me deixou pelo dinheiro do Dimitri. O cara tem apartamento, ganha bem, etc. Um estereótipo do conquistador de mulheres. Bem, são os que ficam com as mulheres, não é?! Já estou esperando aparecer algum na frente da Nina. Aí ela me deixa. (...)

08.03.1989

(...) Vou dar um prazo de 3 meses. Não 2 anos como da outra vez. Fui muito trouxa. Ficaram tirando sarro da minha cara. Trouxa! Trouxa! Trouxa! Não está saindo nada que preste. Espero parar com isso.

20.03.1989

(...) Bem, a Fernanda acabou vindo, apesar de ter dito que não abriria a porta pra ela. Outra pessoa abriria. Mas eu mesmo acabei abrindo. Ficamos conversando no quarto. Ela falou sobre o Dimitri ser do tipo calhorda e que eu estava me tornando assim... Algo do gênero. Já não me lembro direito das coisas. Muita coisa acontecendo ao mesmo tempo. Emoção demais! Depois conheci a Bárbara e a Daisy pelo Tele-Amigos. A Bárbara disse pra eu encontrar ela no Bradesco da Azenha na segunda. Fui lá. Nenhuma Bárbara. (...)

21.03.1989

(...) Aliás, conheci a Thaís nessa noite (sexta) mesmo. Mas a Nina deu a entender que talvez ainda haja uma chance. Não sei. Disse que a minha foi a melhor boca que ela já beijou. É típico de mulheres, eu creio. Elas arrebentam, estraçalham comigo e depois tentam me remontar com beijinhos e elogios. Como se adiantasse alguma coisa... Vou tentar continuar a me corresponder com ela. Vamos ver até onde o Sr. Trouxa agüenta. (...)

01.04.1989

(...) O que vai acontecer com esse pedaço de carne depois da minha morte não me interessa. A Joana ligou atrás do meu irmão, como ele não tava, quis falar comigo (quando não se consegue comer a torta, o jeito é se contentar com pão velho). Vai ligar amanhã pra ir ver IMENSIDÃO AZUL comigo. He! He! Não vai ligar. Se ligar, não vai ir ao cinema.Se for ao cinema, não vai mais falar comigo depois de ter me conhecido. Se falar, é porque quer tirar um sarro da minha cara! Afinal, ela é prima da Helena. Não que eu me importe. Não vou saber mesmo se ela está ou não tirando com a minha cara. Infelizmente ainda não consegui mudar a minha cara de panaca e o meu “jeito trouxa de ser”. Um dia eu consigo!

08.04.1989

(...) Hoje a Adriana até fez carinho nom meu cabelo. Definitivamente, ela está mais sociável. Vai ver ela pensa que porque vou com aquelas roupas pra Megaforce, estou com dinheiro. He! He! (...)

15.04.1989

(...) Disse que não tinha nada pra falar pra ela (Fernanda) e por isso tínhamos que acabar com as ligações. Muito engraçado! Passa os fins-de-semana trepando e depois me liga dizendo “Tô com saudades, jujú!” É gozação ou não é?! ÉÉÉÉÉÉÉÉÉ!!! Então, melhor cortar esses papos de aranha. Vem me pegar pra sobra, é?! Aqui, Ó!!! (...)

18.04.1989

(...) Felizmente ela (Giovana) não ligou, senão eu ia chegar em casa e ia ficar chateado. Hah!Cheguei a uma teoria interessantes sobre o motivo pelo qual eu não estou engordando, apesar de estar comendo muito mais do que antes. O fato de eu andar deprimido (quase) o tempo inteiro provavelmente me faz definhar e não deixa o organismo trabalhar direito. Quando a pessoa está feliz , o organismo trabalha melhor. É fato! Vai ficar difícil pegar corpo desse jeito... (...)

19.04.1989

Acho que a Giovana não vai mais ligar. Porquê? Porque acho que falei demais na segunda com ela. Falei de SEXO! Acho que ela ficou assustada. Eu não vou ligar enquanto ela não o fizer.

01.05.1989

(...) Mas no dia 27 (de abril) já havia passado e ela (Fernanda) me veio com essa. Me mandou uma carta dizendo que eu só queria bolo com merengue, mas que devia me contentar com o bolo. É claro que devo me contentar com o bolo. O merengue todo mundo já pegou e tá comendo. Só o panaca aqui ficou sem. Quando comecei a namorar a Fernada, pensei que o estigma de trouxa e perdedor havia acabado. Vejo agora que continuo com ele e nunca o senti tanto como agora. É rejeição atrás de rejeição. Eu sou carta fora do baralho. Sempre fui! (...)

07.05.1989

(...) Fiquei chorando enquanto a Fernanda dormia. Ela acordou lá pela meia-noite, mas ainda com sono. Começamos a conversar um pouco, deitados, e então ela me abraçou e disse: “Eu te amo, Dimitri!” Bah! Aquilo doeu fundo mesmo. Nós tínhamos acabado de fazer amor e ela me solta uma dessas... Foi como se ela tivesse me abraçado e me dado uma punhalada. Fechei os olhos e fiquei quieto naquela posição. Não queria falar, não queria me mover. Queria simplesmente deixar de existir, me anular, não pensar. A Fernanda ficava me chamando e eu não respondia. Aí ela começou a chorar. Fiquei arrependido por não ter falado com ela e tentei consolá-la, pedindo desculpas. Ela ficava pedindo desculpas também. Dizia que fazia tudo errado. Começamos a conversar. (...)

30.05.1989

(...) Fui ao cinema com a Giovana. Bem, vimos uns 15 minutos de filme apenas. Não quis forçar muito as carícias porque ela já devia estar confusa com todo esse problema da família e mais eu no meio. Muita coisa junta. Saímos de lá e fomos conversando até o centro, onde pegamos uma lotação pra casa dela. Longe pacas. Dei a ela o cartão que havia comprado. Ela adorou. Quando descemos, fomos andando até a casa dela e cruzamos com uns caras no caminho e um deles deu uma risada esganiçada ao passar por nós. Era o irmão dela. Já deu pra sentir o nível do cara. Achamos melhor que eu não entrasse naquele dia, pra não complicar as coisas. (...)

01.06.1989

Bem, fiquei esperando a Eliane no McDonald’s. Atrasada. Estava esperando que ela não fosse. Acho que teria sido melhor assim. Bem, ela apareceu e fomos ver A FERA DA GUERRA. Ótimo filme. Surpreendente. Tanto quanto CAÇADOR DE ASSASSINOS. Depois do filme ela me convidou pra tomar um suco. Ficamos no bar até a 1 da madrugada. Falamos de muitas coisas, entre as quais, sexo. Ela adora fazer, pelo que disse. Mas eu não tenho nada a ver com isso, certo? Certo! Nem sei porque escrevi isso. O chato de escrever os fatos muito tempo depois do acontecido é que as idéias mudam. Mas na hora estava achando ótimo. (...)

***********

Bem, agora vou pensar duas vezes pra ver se publico trechos do CADERNO DE ANOTAÇÕES II.

E pra quem estranhou muito esse lado um tanto desconhecido, é como eu disse pra uma amiga que esteve passando por uma fase muito ruim, mas que aos olhos dos outros está sempre alegre e divertida: “O palhaço é sempre a pessoa mais triste do Circo.”

sábado, 3 de abril de 2010

O ASSASSINO HORRÍVEL E LENTO COM A ARMA EXTREMAMENTE INEFICAZ - Curta



Se você acha que JOGOS MORTAIS I, II, III, IV e V são o máximo em carnificina e tortura, é porque ainda não viu esse curta.

Se você tem medo de colheres, não veja esse filme!

Eu avisei!

sexta-feira, 2 de abril de 2010

CAPRICHO 990 - Coluna não publicada


"Ui, benhê, agora que o jogo acabou, vamos tomar uma ducha juntos?"

A FLOR DO MEU AMOR
Uma micronovela

Ana Claudia era uma menina linda de Belo Horizonte, fã de Jay Vaquer e que se achava feia e horrorosa só porquê usava óculos.

Mal sabia ela que Tião, o nerd feio e quatro-olhos da aula era apaixonado por ela.


Mas um dia ela ganhou uma viagem juntando selinhos que saíam nas revistas e lá se foi ela, para Anta Gorda, no Rio Grande do Sul.
Lá ela foi no cabeleireiro e fez umas tranças super-maneiras, com fitinhas azuis e vermelhas, as cores do Grêmio e do Internacional.

Ela aproveitou então e foi ao estádio de Anta Gorda (RÁ!, como se Anta Gorda tivesse estádio!) ver o GRE-NAL (Gre-nal em Anta Gorda????) .


Mas ao entrar na arquibancada do Grêmio, alguns torcedores não gostaram da fitinha vermelha das suas tranças e queriam arrancar elas dos sedosos cabelos de Ana Claudia.

Nesse deseperador instante, eis que surge nosso herói, o nerd Tião, que no passar de apenas uma semana, havia se transformado num jovem e garboso policial, que com seu cavalo e brutalidade ímpar, pisoteou e baixou o cacete nos torcedores do Grêmio, que como todos sabem, são acostumados a sofrer.


Tião, então declarou seu amor por Ana Claudia, entregando-lhe uma cheirosa flor e revelando sua identidade secreta de policial gaúcho de Anta Gorda.

Ana Claudia, que havia perdido seu óculos durante aquela loucura toda, viu-se refletida nos óculos Ray-ban de seu amor e viu-se linda e formosa como nunca.


Ana Claudia e Tião acabaram voltando para Belo Horizonte, pois Anta Gorda era um lugar pequeno demais para seus grandes sonhos de abrir uma padaria de pão-de-queijo.


Alguns anos depois, Ana Claudia engordou 14 quilos e Tião pegou nojo de pão-de-queijo e voltou para Anta Gorda, pois tinha muitas saudades do churrasco de sua mãe.


FIM

Aviso: Nenhum gremista foi machucado na produção desta novela, a não ser aqueles que foram parar no hospital.