segunda-feira, 28 de dezembro de 2009
MONDO URBANO – Quadrinhos
A Mondo Urbano é a união de três talentosos ilustradores nacionais na tentativa (aqui, sempre são tentativas) de publicar quadrinho nacional de qualidade com um apelo mais pop.
Nesse caso nem é pop, mas hardcore mesmo, já que os quatro exemplares lançados narram as desventuras de uma banda de heavy metal chamada DEMO, de seus fãs e groupies. Apesar do roteiro ser um tanto clichê para quem já leu tantos quadrinhos como eu, para os mais jovens ou iniciantes na área, tenho certeza de que as dramáticas, bizarras e hilárias histórias dos personagens vão parecer bastante originais.
Mas apesar da história não ser novidade para um veterano das HQs como eu, a narrativa não-linear ao estilo PULP FICTION dá um certo frescor ao roteiro, que também tem bons diálogos. E claro, os desenhos de Mateus Santolouco, Rafael Albuquerque e Eduardo Medeiros, revezando-se nos capítulos, são modernos e de traço seguro, coisa rara de ser ver em certas publicações nacionais.
Ajuda, claro, o fato dos três ilustradores terem diversos trabalhos publicados por editoras americanas, o que fortaleceu em muito sua arte e profissionalismo.
As três primeiras edições estão esgotadas, mas se você procurar nas comic stores e sebos, você deve encontrá-las. Ou o jeito é esperar uma versão encadernada.
Visite o site pra conhecer mais dos gibis e dos autores:
MONDO URBANO
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terça-feira, 22 de dezembro de 2009
METHOD CONTEMPORARY DANCE - Dança
CLAUDIA, do grupo Method Contemporary Dance com coreografia de Bradley Michaud. O grupo é de Los Angeles, EUA.
Reparem nos movimentos dos bailarinos, emulando um filme em velocidade contrária.
100.000 VISITAS!
Ontem, dia 21 de dezembro de 2009, o blog atingiu esse número mágico!
Meu presente de Natal de todas as leitoras e leitores deste (não tão) humilde blog!
Muito obrigado, gente!
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sábado, 19 de dezembro de 2009
CAPRICHO 982
Você acha seus micos horríveis? Então veja só...
DEZ TIPOS DE MICOS QUE CERCAM OS FAMOSOS!
DEZ TIPOS DE MICOS QUE CERCAM OS FAMOSOS!
1. Ser confundido com outro:
“Eu te adoro, Gianechini!” “Eu não sou o Gianechinni, eu sou o Szafir.”
2. Ter seu papel levado a sério demais:
“Olha o bichinha da novela!”
3. Ter seu nome envolvido em boatos de mau-gosto:
“Meus pêsames, acabei de ler que você está com AIDS.”
4. Se separar do namorado, também famoso, e no outro dia ver na TV que ele já estava com outra!
5. Ver fotos suas só de calcinha dentro de casa publicadas em revista de circulação nacional!
6. Se você dá uma engordadinha, todo o mundo comenta!
7. Você tem que bater ponto e pagar mico dançando, cantando e levando torta na cara nos programas da sua TV!
8. Você ainda é famoso mas ninguém mais te chama, mas as pessoas que te vêem na rua falam:
“Porquê é que você não volta para a TV?”
9. Fazer uma campanha milionária para a Coca-Cola e ser flagrada tomando Pepsi!
10. Filmar você transando com seu namorado e de repente essas imagens vão parar na internet!
Jerri Dias já foi confundido com o Tom.
sexta-feira, 11 de dezembro de 2009
O FIM
Foram 14 anos e seis meses,
maravilhosos,
chatos,
engraçados,
preguiçosos,
aventureiros,
feios,
lindos...
Saudades...
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sábado, 5 de dezembro de 2009
BATMAN – DEAD END (EUA, 2003) - curta
Este curta foi feito pelo diretor Sandy Collora em uma tentativa de mostrar seu talento na direção e tentar reativar a franquia de Batman no cinema com ele no comando, claro.
Infelizmente Collora não foi chamado pela Warner para dirigir o novo Batman, acabaram optando por Christopher Nolan....
Mas esse curta surtiu o efeito desejado em reativar a franquia, pois com ele, finalmente Batman tinha um filme que realmente reproduzia fielmente e com competência o personagem que todos os fãs queriam ver nas telas.
E todos viram que isso era possível, bastava um pouco de vontade e coragem.
Graças ao interesse que esse curta despertou em todo lugar onde era exibido e no You Tube, com 2.500.000 acessos fez a Warner repensar a franquia e trazer um Batman mais próximo da sua versão bidimensional e do próprio curta.
Até o lançamento de BATMAN – O CAVALEIRO DAS TREVAS, em 2008, este era o melhor filme do Batman jamais feito.
Se você curte quadrinhos, preste atenção na fotografia,que evoca a todo momento a arte de Alex Ross.
E caso ache estranho a inclusão de personagens de filmes nesse curta, fica a informação de que nos quadrinhos, Batman já enfrentou eles anos atrás e o diretor Sandy Collora trabalhava como técnico de efeitos especiais no estúdio que produziu estes personagens e aí ficou fácil pra ele utilizar eles.
O curta custou apenas U$ 70,000.00, pois muitos trabalharam de graça ou por cachês simbólicos, senão teria custado facilmente dez vezes mais.
Apague as luzes, coloque em tela cheia e divirta-se.
ENQUANTO ISSO...
Se você gosta de escrever humor, participe do concurso de colunas do meu blog da CAPRICHO.
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quinta-feira, 3 de dezembro de 2009
CAPRICHO 981
Tubarões mutantes também atacam mais no Verão...
O Verão chegou e com ele...
DEZ COISAS ODIENTAS E CALORENTAS!
O Verão chegou e com ele...
DEZ COISAS ODIENTAS E CALORENTAS!
1. Baratas! Baratas! E mais baratas!
2. Dias mais longos e portanto, mais Sol na moleira!
3. Gente suada e fedendo, inclusive você!
4. Restaurantes, bares e cinemas com ar condicionado funcionando no mínimo!
5. Você sai do banho fresquinho e em 5 minutos já começa a suar!
6. Ficar menstruada (é, eu nunca fiquei, mas imagino que deve ser pior no Verão...)!
7. Ir até aquele laguinho na serra e descobrir que o esgoto está sendo despejado lá!
8. Mosquitos que não te deixam dormir, e quando deixam, é para chupar o teu... sangue! Claro,
cabelo é que não é, né?!
9. Entrar em balada forno de microondas!
10. Achar que vai vir uma frente fria da Argentina e ela manda dizer que não vem porquê aqui tá muito calor!
Jerri Dias derreteu.
ENQUANTO ISSO...
Se você ama ou odeia SPAMs, você tem que ler minha nova coluna!
E eu comemoro 200 edições de CAPRICHO lançando um concurso de colunas. Não deixe de participar!
Clique aqui!
segunda-feira, 30 de novembro de 2009
COFFEE IS MY BOYFRIEND – Blog Convidado
A Cristina de Souza tem 20 anos e mora ora em Palhoça, ora em Joinville, ambas em Santa Catarina. Não sei por quê. Uma hora dessas eu pergunto...
Mas o que interessa agora é conhecer o que se passa na cabeça e na vida dessa judoca que constrói textos que começam de um jeito que parece que não vão dizer nada e no final dizem tudo...
E se gostar dessa crônica da Cristina, muitas mais no Coffee is My Boyfriend.

Andava na rua, no frio, alheia a tudo. A garoa teimosa caia, e o dia estava pateticamente cinza.
Em passos apressados, ia a lugar nenhum. Viu uma doceria que parecia aconchegante, tudo que precisava era tomar um bom café pra colocar as idéias no lugar. Não hesitou em entrar. Mesmo com seu jeito enfático, ninguém pareceu notar sua presença. Ninguém se moveu. Era tudo meio cinza lá dentro também, mas era quente. O cheiro de café fresco e os doces na vitrine, convidativos. Sentou-se em uma das mesas com a toalha xadrez desbotada, e escolheu um capuccino tipo italiano com chantilly.
Enquanto esperava observava as pessoas afundadas em seus jornais lendo as rotineiras notícias de violência com um mesmo ar inexpressível de quem lê horóscopo. Era assim que acontecia, todos os dias a mesma coisa, e todos nós conformados, pensou. Mas assim que chegou seu capuccino, numa visão deslumbrante de chantilly derretendo, esqueceu de tudo.
Quando o paladar pode sentir o gosto perfeito do café com chocolate, ela sentiu como se não houvesse mais nada a se preocupar. Esqueceu dos próprios problemas que a faziam andar na rua num dia de garoa, problemas que julgava serem os maiores do mundo. Enquanto bebericava lentamente o capuccino, ia pensando que não havia graça em viver. Não tinha as roupas que desejava, brigara com os pais porque os mesmos não a deixavam voltar de madrugada as festas, e tinha um namorado por conveniência, que parecia nem ligar para sua existência. Mas algo a tirou de seu mundinho imperfeito: mãos pequenas e unhas sujas, que ofertavam jujubas.
Ao ver as mãos, observou tudo, os pés com chinelos, as roupas surradas e úmidas, os olhos. Os olhos brilhantes, mas um brilho de súplica. Encarou esses pequenos olhos, bem no fundo, e foi como se algo a tivesse despertado para o mundo. O mundo real, onde os problemas vão muito além de brigas com namorados ou preço de sapatos.
Ali na sua frente a realidade crua, nua, vendendo nada mais que jujubas, com um sentimento de culpa por estar tentando sobreviver.
Encarou o olhos.
Não comprou jujubas. Não pôde.
Num ápice, abraçou o menino sujo. Assustado, hesitou por um momento, mas cedeu.
Ali, em uma cena que soava a compaixão, duas pessoas ganharam o mundo. A menina, por perceber que existe algo além de seus próprios caprichos, e o menino por saber que apesar de tudo, não se pode deixar perder o amor à vida.
Quando largou o menino, o brilho nos olhos dele já não era de súplica: mas sim de esperança.
Apressadamente, ela pagou o café, pagou um café para o menino, e foi-se.
E, apesar da garoa teimosa, nada parecia mais cinza.
E o menino, quase sem entender, sorriu. Não vendeu jujubas, vendeu realidade.
Mas o que interessa agora é conhecer o que se passa na cabeça e na vida dessa judoca que constrói textos que começam de um jeito que parece que não vão dizer nada e no final dizem tudo...
E se gostar dessa crônica da Cristina, muitas mais no Coffee is My Boyfriend.

CAFÉ
Andava na rua, no frio, alheia a tudo. A garoa teimosa caia, e o dia estava pateticamente cinza.
Em passos apressados, ia a lugar nenhum. Viu uma doceria que parecia aconchegante, tudo que precisava era tomar um bom café pra colocar as idéias no lugar. Não hesitou em entrar. Mesmo com seu jeito enfático, ninguém pareceu notar sua presença. Ninguém se moveu. Era tudo meio cinza lá dentro também, mas era quente. O cheiro de café fresco e os doces na vitrine, convidativos. Sentou-se em uma das mesas com a toalha xadrez desbotada, e escolheu um capuccino tipo italiano com chantilly.
Enquanto esperava observava as pessoas afundadas em seus jornais lendo as rotineiras notícias de violência com um mesmo ar inexpressível de quem lê horóscopo. Era assim que acontecia, todos os dias a mesma coisa, e todos nós conformados, pensou. Mas assim que chegou seu capuccino, numa visão deslumbrante de chantilly derretendo, esqueceu de tudo.
Quando o paladar pode sentir o gosto perfeito do café com chocolate, ela sentiu como se não houvesse mais nada a se preocupar. Esqueceu dos próprios problemas que a faziam andar na rua num dia de garoa, problemas que julgava serem os maiores do mundo. Enquanto bebericava lentamente o capuccino, ia pensando que não havia graça em viver. Não tinha as roupas que desejava, brigara com os pais porque os mesmos não a deixavam voltar de madrugada as festas, e tinha um namorado por conveniência, que parecia nem ligar para sua existência. Mas algo a tirou de seu mundinho imperfeito: mãos pequenas e unhas sujas, que ofertavam jujubas.
Ao ver as mãos, observou tudo, os pés com chinelos, as roupas surradas e úmidas, os olhos. Os olhos brilhantes, mas um brilho de súplica. Encarou esses pequenos olhos, bem no fundo, e foi como se algo a tivesse despertado para o mundo. O mundo real, onde os problemas vão muito além de brigas com namorados ou preço de sapatos.
Ali na sua frente a realidade crua, nua, vendendo nada mais que jujubas, com um sentimento de culpa por estar tentando sobreviver.
Encarou o olhos.
Não comprou jujubas. Não pôde.
Num ápice, abraçou o menino sujo. Assustado, hesitou por um momento, mas cedeu.
Ali, em uma cena que soava a compaixão, duas pessoas ganharam o mundo. A menina, por perceber que existe algo além de seus próprios caprichos, e o menino por saber que apesar de tudo, não se pode deixar perder o amor à vida.
Quando largou o menino, o brilho nos olhos dele já não era de súplica: mas sim de esperança.
Apressadamente, ela pagou o café, pagou um café para o menino, e foi-se.
E, apesar da garoa teimosa, nada parecia mais cinza.
E o menino, quase sem entender, sorriu. Não vendeu jujubas, vendeu realidade.
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quinta-feira, 26 de novembro de 2009
ARVO PART – Spiegel im Spiegel – Vídeoclip
Cenas do filme O ESPELHO do cineasta Andrei Tarkovsky, que um fã editou, acrescentando a música de Arvo Part.
Sempre gostei de música clássica, acho que desde criança, mas não sei quase nada de música erudita contemporânea e quando li a revista BRAVO n° 1 me deparei com uma extensa matéria falando de Arvo Part, um compositor erudito da Estônia. A matéria falava de seu talento extraordinário, de como sua música era sublime e penetrava na alma das pessoas.
Bom, fiquei empolgado com a matéria e pedi um CD de Natal pra Xanda e ganhei. Confesso que a princípio tive uma certa dificuldade para entender os acordes dissonantes e a melodia complexa, mas lá pela 5ª vez que escutei o CD, comecei a “entender” a musicalidade dele e a apreciá-la.
E adorei.
Hoje, Arvo Part está entre meus compositores favoritos de depois que passei a conhecer seus trabalhos, percebi que vários dos grandes cineastas utilizam suas composições em seus filmes.
Essa música que postei aqui é, digamos, mais "fácil" e se traduz por “Espelho no Espelho”.
Apreciem a beleza e a melancolia que ela evoca.
ENQUANTO ISSO...
A Ana Carolina fez uma entrevista bem bacana comigo lá no blog FALA SÉRIO. Tem até umas fotos de quando eu era bonitinho, e não esse trapo velho de hoje...
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segunda-feira, 23 de novembro de 2009
CAPRICHO 980
Você sabia que a MTV era um canal de música e passava vídeo clips 24 horas por dia?
O clássico clip de Robert Palmer...
...e a resposta de Shania Twain!
O Governo e a Rede Globo levaram o NÃO na Proibição das Armas, mas como fiquei com pena, criei...
O clássico clip de Robert Palmer...
...e a resposta de Shania Twain!
O Governo e a Rede Globo levaram o NÃO na Proibição das Armas, mas como fiquei com pena, criei...
10 REFERENDOS QUE VÃO DAR SIM!
1. Malhação deve virar matéria obrigatória no currículo escolar?
2. Os corruptos brasileiros devem ser açoitados em frente ao Congresso Nacional e depois jogados numa ilha deserta cercada de tubarões?
3. Rock stars e astros de Hollywood devem ter isenção de imposto para vir morar no Brasil?
4. Celular deve ser considerado necessidade básica e o minuto passar a valer apenas um centavo?
5. Todo brasileiro deve ter direito e acesso gratuito a internet banda larga?
6. O vestibular deve ser adiado para depois dos 21 anos para dar tempo ao jovem decidir melhor a profissão?
7. O Horário Político gratuito deve ser restrito a exibições somente às 6 da manhã?
8. A MTV deve voltar a exibir videoclips ao invés de programas de auditório?
9. O governo brasileiro deveria respeitar a Constituição e aumentar o salário mínimo em seu valor real?
10. O Jota Quest deve ser proibido de compor e cantar canções no Brasil?
Jerri Dias deve continuar a escrever bobagens impunemente?
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quarta-feira, 18 de novembro de 2009
DIÁRIO DE BORDO - conto

Atlântico, 14 de agosto de 1916.
A missão foi um sucesso. O Victory afundou ontem, por volta das 23 horas. A maioria estava dormindo. Todos os 360 passageiros e tripulantes morreram. O mar está repleto de destroços. O submarino Wolffkrieg deve me apanhar nestas coordenadas dentro de dois dias. Tenho provisões para três. Salve o Imperador Guilherme II.
Atlântico, 15 de agosto de 1916.
Esta noite escutei gemidos estranhos vindos do sul. Não consegui ver nada. A noite não teve lua. Bebi água demais ontem e hoje por causa do Sol. É muito quente durante o dia e esfria demais à noite. O cobertor que trouxe não é suficiente.
Atlântico, 16 de agosto de 1916.
O Wolffkrieg virá hoje. A qualquer momento poderei divisá-lo no horizonte. Uma barbatana de tubarão emergiu à 10 metros do meu bote e mergulhou. Já fazem duas horas. Deve ter ido embora. Será que toda aquela carne inglesa não os saciou?
Atlântico, 17 de agosto de 1916.
O Wolffkrieg não veio. Deve ter acontecido algum imprevisto. Deve chegar hoje. Estou queimado de Sol. Minha pele dói e coça. Não posso mais encostar nas bordas do bote. Fico coberto a maior parte do tempo. De vez em quando me molho para me refrescar, mas não gosto de colocar a mão na água por causa dos tubarões. A água está acabando e só me sobrou um pedaço de salsicha.
Atlântico, 18 de agosto de 1916.
Tenho um convidado. É um sobrevivente do Victory. É um compatriota e tem o mesmo nome, Jurgen. E pensar que quase atirei nele quando o vi agarrado num destroço... Será bom ter companhia. A comida e a água acabaram e a merda do Wolffkrieg não apareceu!
Atlântico, 19 de agosto de 1916.
Ontem vimos dois tubarões. Não apareceram mais. Jurgen e eu contamos piadas de ingleses para aliviar a tensão. Não temos linha para pescar. Meu corpo tá todo dolorido das queimaduras.
Atlântico, 20 de agosto de 1916.
Inexplicavelmente Jurgen sabe que fui eu que explodi o navio. Como? Eu não contei. Mesmo um compatriota alemão não poderia saber que sou um sabotador. Perguntou se eu não estava com remorso. Disse que não sabia do que estava falando, que era tão vítima quanto ele. Cadê a porra do submarino? Será que ele estava com a família?
Atlântico, 21 de agosto de 1916.
Estou com fome e sede. Vomitei boa parte da água salgada que tomei há pouco. Acho que vou ficar doente. Ontem à noite vimos fumaça de navio. Queria chamá-lo, mas não tinha jeito. Comecei a chorar e Jurgen ficou só olhando. O Wolffkrieg deve ter sido afundado. É por isso que ele não veio. Acho que vamos morrer. Jurgen continua com suas acusações. Perguntou se eu gostaria de ter minha família mandada pelos ares como fiz com os ingleses. Como ele sabe que tenho família? Eu o mandei tomar no cú e disse que távamos numa guerra. Ele disse: "E daí?". Jurgen é louco. Se continuar assim vou ter que matá-lo. Tenho medo de ficá sozinho.
Porra do Atlântico, 228.16
Estou com febre e não quero escrever muito. Jurgen continua falando baboseiras da guerra e das pessoas que matei. Quero fazer ele calar a boca mas estou fraco demais. Minhas mãos tão tremendo. Que merda!
água pra caralho, 23.8.16.
Decidi matar Jurgen. Tô doente e ele não pára de falá nos mortos. Ele sabe até o nome dos navio que afundei. Cheguei a conclusão que ele é um traidor e tem que sê morto. Um verdadeiro alemão não acusa um soldado da pátria mãe por cumprir seu dever.
Diário de bordo do Wolffkrieg, 25 de agosto de 1916.
Encontramos ontem o corpo do tenente Jurgen Ludendorff em um bote à quase 15 milhas do ponto de encontro. A solidão, aliada a falta de água e comida devem tê-lo levado ao suicídio. Embora no seu "diário de bordo" verifique-se a presença de outro homem, não encontramos nenhum indício dele no bote. E mesmo que Jurgen possa tê-lo feito atirar-se na água para depois matá-lo com a pistola, é de estranhar que a pistola tivesse todas as balas, só faltando a que o tenente Ludendorff usara em si mesmo. Apesar do ato reprovável, recomendarei uma medalha por seus valorosos serviços.
Porto Alegre, maio de 1993.
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