quinta-feira, 29 de dezembro de 2011

CAPRICHO 1039

Todos os seus amigos foram para a praia e seus pais te levaram para uma biboca no interior? 
Sem stress. Veja aqui o que fazer...

NO MATO SEM CACHORRO!

1. Ficar zapeando pelos canais o dia inteiro assistindo suas séries favoritas! Ih, não tem TV por cabo e nem parabólica. Lá só dá pra ver as estripulias intelectuais dos Big Brothers ou as vacas ruminando no canal rural. Difícil é dizer qual programa tem os protagonistas mais inteligentes...

2. Não tem TV, mas tem muita comida gostosa, pois no interior todo mundo come bem e feito porco! O problema é que depois de uma semana você acaba ficando também com as proporções de uma porca.

3. O negócio então é tirar a bunda da rede e perder umas calorias fazendo academia! Mas academia aqui não tem, tem é trekking pela natureza. É só tomar cuidado com as cobras, as taturanas venenosas, os ninhos de maribondos e aquele cara esquisito que vive na floresta.

4. Graças a Deus aquela cobra não era venenosa e você vai viver para contar a história. Tome uma atitude ecológica e deixe as florestas para os bichinhos. Faça o que você faz melhor, cair na balada!

5. Como era de esperar, não tem balada, mas tem um baile para crianças e adolescentes durante à tarde. Você vai mesmo assim e fica todo mundo olhando para o teu cabelo curto e roxo. Ainda assim, um garoto bonito se aproxima. Mas ele fala igual ao Seu Creyson com sotaque caipira. Ele te compra uma limonada, pois lá não tem refrigerante.

6. Mas como para ficar, não precisa falar, você encara o menino e acaba descobrindo que ele beija muito bem e faz outras coisas muito bem também. Ano que vem você vai querer voltar!

Jerri Dias quase foi comido vivo por duas taturanas.



terça-feira, 27 de dezembro de 2011

CHEMICAL BROTHERS – Vídeoclip


Provavelmente você já sacudiu o esqueleto com essa música...  ;-)


Junto com Prodigy, Fatboy Slim e outros, esta dupla formada por Tom Rowland and Ed Simons foi responsável por popularizar a batida eletrônica nas baladas e cultura pop mundial.
Confira meus três clips favoritos deles.



Michel Gondy dirigiu este vídeoclip que exibe, como sempre, uma direção de arte alucinantemente criativa.



Este outro clip tem a participação da atriz Rosário Dawson (SIN CITY, PERCY JACKSON).



sábado, 24 de dezembro de 2011

OFICINA ON-LINE DE PRODUÇÃO DE CONTEÚDO PARA BLOG – Curso

Depois desta oficina, você não vai mais conseguir parar de blogar.


Se você adora falar sobre o que se passa na sua cabeça, criticar tudo, fazer piada, escrever contos, crônicas e ficar catando coisas legais na internet para mostrar para as pessoas mas acha que poderia e merece ter um público bem maior do que apenas os seus amigos, essa oficina é para você!
Libere sua criatividade com dicas de como escrever melhor, buscar conteúdo legal em sites, fazer um blog bacana e organizado, divulgá-lo na rede e ainda se divertir fazendo tudo isso!

A OFICINA

MINISTRANTE: Jerri Dias

PERÍODO: Oficina permanente.

AULAS ON-LINE: 10 aulas com 60 min. cada

PERIODICIDADE: de 1 à 3 aulas por semana, de acordo com a disponibilidade do aluno e professor, dias e horário a combinar.

ALUNOS: até 3 alunos podem participar usando um mesmo computador.

FAIXA ETÁRIA: de 12 à 24 anos.

VALOR: 80,00 por aluno. Pagamento em depósito ou transferência bancária.

NECESSIDADES: Uma conta no HOTMAIL/MSN para as aulas.

INSCRIÇÃO: Pelo e-mail oficinablog@hotmail.com
Por ordem de chegada de e-mail.
A inscrição definitiva se dará após a confirmação do depósito.

Para informações mais detalhadas sobre a oficina, clique aqui e baixe o arquivo em PDF.

Dúvidas e mais informações pelo e-mail: oficinablog@hotmail.com


ENQUANTO ISSO...

Um Feliz Natal pra todo mundo!









quinta-feira, 22 de dezembro de 2011

NEIL GAIMAN – Entrevista sobre pirataria na WEB




Neil Gaiman fala aqui o que muitos cinéfilos e leitores que fazem donwloads de filmes, livros e comics já sabem mas que muitas empresas e artistas ainda não perceberam. Quando comecei a fazer downloads de quadrinhos na internet, já fazia alguns anos que acompanhava de longe o mercado e comprava, no máximo, uma graphic novel por ano de um artista que já conhecia. A possibilidade de baixar milhares de obras conhecidas e desconhecidas me fez voltar ao velho vício dos quadrinhos, conhecer dezenas de autores novos e voltar a comprar quadrinhos regularmente, tanto para ter algumas das boas obras que li no PC, quanto para acompanhar o trabalho de novos autores que, talvez nunca tivesse conhecido se não os tivesse baixado. E já faz uns 7 anos que voltei a comprar uma média de 12 graphic novel por ano. Um aumento de 1.200% do que eu costumava comprar. O mesmo vale para livros, séries e filmes que baixei.

E você, também acha que compra mais quadrinhos, revistas, séries e filmes desde que começou a baixá-los?

terça-feira, 20 de dezembro de 2011

CAPRICHO 1038

 
 
Ele voltou! Para apaziguar a ignorância dos hormônios em ebulição...

O CONSULTÓRIO DO DR. CONDY LOMMA!

“Dr. Condy Lomma, já fazem quatro meses que minha menstruação não desce, tenho enjôos e minha barriga está crescendo. Será que estou grávida?”

Amanda mal amada, de Agrolândia.

Cara Amanda, isso não é nada. Devem ser só gases, mas por via das dúvidas, quando nascer, chame ele de Pum. 

“Tio Condy, desde que virei mocinha, minha barba não pára de crescer. O senhor conhece algum método barato de depilação definitiva do rosto?”

Roberta Manuela, de Pelotas.

Sim. Vergonha na cara!

“Como é que se pega AIDS? Eu recebi uma corrente no meu orkut que dizia que se eu não mandasse adiante eu iria pegar AIDS!”

Maria do Socorro, Laguna.

Com a atual sofisticação dos hackers brasileiros somada a promiscuidade dos namoros via MSN, é bem possível que alguém possa acabar pegando AIDS pelo teclado do computador. Por isso recomenda-se que a pessoa use luvas enquanto tecla.

“Dr., quero começar a transar. Qual o melhor método para evitar a gravidez?”

Ângela Desesperada, Ceclopólis.

Comer muita beterraba, fazer exercícios leves, rezar o Pai nosso três vezes ao dia e tomar a pílula e usar camisinha.

“Meu namorado vive brochando. O que é que eu faço?”

Daniela Danada, Ronca-Ronca.

Nessas horas tem que ser muito compreensiva com o homem, que é uma criatura frágil e sensível. Mas nada impede de você filmar a conversa de vocês e colocar no YouTube para mostrar para as amigas.

Jerri Dias anda com uma coceira esquisita. 

domingo, 18 de dezembro de 2011

DINOSSAUROS - Livro




 Os autores

Paul Barrett trabalha no Departamento de Paleontologia do Museu de História Natural de Londres e tem diversos artigos e livros publicados na sua área de atuação.

 
Paul Barret

Raul Martín é ilustrador e trabalha em diversas áreas relacionadas a arte. Mas nos últimos anos vem se especializando em ilustrações da vida pré-histórica. Em seu site, você encontra diversas galerias de suas ilustrações paleontológicas.

O livro

Uma publicação com o selo National Geographic, esse livro mantém o conceito da revista: textos acessíveis baseados em muita pesquisa com fotos e ilustrações de alta qualidade gráfica.

 
O livro está repleto de dezenas de belas ilustrações de página inteira e página dupla. 
Clique para ampliar. 


Dividido em capítulos curtos, que vão de uma a quatro páginas, o livro tem três seções distintas: a primeira parte ocupa 60 páginas e dá ao leitor uma visão geral sobre dinossauros, o que são, como foram descobertos, as eras geológicas, as diferentes espécies, teorias antigas e modernas, fósseis, biologia, comportamento, etc. O conteúdo é mais do que suficiente para qualquer iniciante ou professor saber o suficiente para satisfazer sua curiosidade ou preparar uma boa aula. 

A segunda e maior parte do livro, com cerca de 120 páginas, tem um design mais enciclopédico, com cada dinossauro tendo direito a uma à quatro páginas dedicadas a analisar seus ossos, história e comportamento.
Um mapa demonstra a região onde cada um deles habitou e dois gráficos marcam a época em que viveu, seus dados científicos e sua proporção em comparação com o homem. A variedade de dinossauros impressiona e para quem está familiarizado apenas com aqueles que veem em filmes, saiba que existiram milhares de espécies diferentes que viveram em terra, mar e ar. O livro, infelizmente, só pode apresentar uma pequena fração deles e se atém aos dinossauros terrestres, deixando de fora os pterossauros e os monstros marinhos.



 Longos períodos de seca foram um dos fatores que levaram diversas espécies à extinção.


De qualquer forma, o leitor enriquecerá seu conhecimento conhecendo dinossauros que vão desde o tamanho de um pardal até o de um prédio de cinco andares, tal a diversidade fabulosa desses esplêndidos animais, antepassados das atuais aves, e não dos répteis, como muita gente ainda pensa. Os répteis já existiam na época dos dinossauros e crocodilos e tartarugas mudaram mais em tamanho (diminuíram) do que em forma daquela época aos nossos dias atuais.

Na terceira e última parte do livro, que ocupa poucas páginas, o autor fala sobre a extinção dos dinossauros e as teorias que ainda são debatidas sobre o assunto, o interesse renovado por eles graças ao cinema e apresenta um pequeno glossário de termos usados ao longo do livro para uma melhor compreensão do livro.

Um livro obrigatório para qualquer um que tenha nostalgia de um tempo em que nenhum humano jamais viveu.

Trecho

 
 O Carnotauro foi uma espécie que habitou a região sul da América do Sul, incluindo o Rio Grande do Sul. Uma excelente réplica animatrônica em tamanho natural encontra-se na entrada do MUSEU DA PUC-RS em Porto Alegre.
Página da publicação americana.


Quer comprar?

 Novo

Clique nos banners do Submarino ao lado.

Usado.

Boa leitura.


sexta-feira, 16 de dezembro de 2011

O GIGANTE DE FERRO (The Iron Giant, EUA, 1999) – Filme

 

Dirigido por Brad Bird antes de migrar para a Pixar para dirigir OS INCRÍVEIS e partir para o cinema live-action com MISSÃO IMPOSSÍVEL: PROTOCOLO FANTASMA, essa bela animação 2D passada nos anos 50, conta a história de um robô gigante vindo do espaço que é “adotado” por um garoto de 9 anos. A história tem similaridades óbvias com o E.T. de Spielberg, incluindo agentes do governo atrás do gigante. Sem memória por causa da queda, o robô passa a copiar o comportamento e a moral humana que vai assimilando ao longo do filme. Humor, emoção, aventura e um belo final fazem deste filme uma grande opção para crianças de qualquer idade. E no original você aproveita as vozes de Jennifer Anniston e Vin Diesel ;-) 

quarta-feira, 14 de dezembro de 2011

LEIGH BOWERY (1961 – 1994) – Performance




Antes de Lady Gaga, existiu Leigh Bowery.
Na sua ambição de se tornar o Andy Warhol britânico, Bowery foi artista, club promoter, ator, pop star, model e fashion designer.
E durante os anos 80 e 90 foi uma das figuras pop mais influentes da cena fashion londrina, clubes noturnos e bandas Nu-Rave.
Em seu leito de morte, vitimado pela AIDS, pediu aos amigos mais próximos que informassem a imprensa e conhecidos que ele teria “ido criar porcos na Bolívia”.





Clique para ampliar.


domingo, 11 de dezembro de 2011

CAPRICHO 1037


Andam dizendo por aí que celular pode provocar câncer.
Antes que você seja um dos milhões de adolescentes a ficarem carecas por causa da quimioterapia, veja aqui o...

NOVO MANUAL DO CELULAR SAUDÁVEL!

1. Agora para mandar torpedos, você volta a fazer os velhos recadinhos de papel para passar adiante na sala de aula ou então faz uns aviõezinhos de papel reciclado para ficar mais politicamente correta.

2. Mensagem de texto urgente?! O velho MSN continua valendo. Sua amiga está sem acesso à internet?! Vá até o correio e dite um telegrama para ela. Em algumas horas o telegrama chega e sua amiga fica sabendo da última fofoca!

3. Não se preocupe: você vai poder ficar horas conversando com suas amigas no telefone  mesmo estando fora de casa! Só que vai ter ficar agüentando a fila do orelhão te xingando!

4. Ajude a diminuir a violência nas ruas e no trânsito! Você vai ser menos assaltada, atropelada ou deixar de atropelar alguém porquê não vai mais estar distraída conversando no celular!

5. Você não vai mais ficar paranóica em ter sua vida sexual devassada no Youtube porque sua amiga traíra pode ter te gravado falando as maiores barbaridades no banheiro enquanto você estava sentada no trono.

6. Sua paranóia e ansiedade vão diminuir agora que seus pais não vão mais te ligar perguntando onde você está e o que você está fazendo quando você estiver no meio da transa com seu namorado.

7. Você não vai mais pagar mico escutando o Jerri Dias gritando contigo no meio da filme para você desligar o celular.

8. Sua auto-estima vai melhorar, pois seus colegas manés não vão mais te respeitar como ser humano só por causa do tipo de celular que você possui! Agora vão voltar a te respeitar pelas suas roupas e tênis de marca!

Jerri Dias nunca aprendeu a usar direito o celular mesmo.





sexta-feira, 9 de dezembro de 2011

MIRACLEMAN / MARVELMAN – PARTE 1 - Comics

Clique nas imagens para ampliá-las.

Uma verdadeira lenda dos quadrinhos, todo aficionado em quadrinhos já ouviu falar do personagem e de seu famoso revival pelas mãos de Alan Moore (WATCHMEN, MONSTRO DO PÃNTANO), mas poucos são os sortudos que tiveram a oportunidade de ler toda a saga de Moore e sua continuação escrita por Neil Gaiman (SANDMAN).

Os autores

Moore nos anos 80, mas com cara de anos 60.


Alan Moore é um dos maiores roteiristas dos quadrinhos mundiais, mundialmente conhecido por sua releitura pós-moderna do mito do super-herói em MIRACLEMAN, BATMAN: A PIADA MORTAL e WATCHMEN. Apesar de ter um sentimento contraditório em relação às super-heróis, Moore criou várias séries relacionadas ao gênero, tais como TOM STRONG, PROMETHEA e AS AVENTURAS DA LIGA EXTRAORDINÁRIA. Claro, nenhuma delas apresenta a típica aventura de super-herói, mas personagens e narrativas bem mais interessantes e complexas, onde Moore fala de temas que lhe interessam. E quase tudo interessa a Moore.  Em 1996, Moore publicou A VOZ DO FOGO, cuja narrativa é uma tentativa de emular em primeira pessoa a linguagem limitada de um homem primitivo e sua história.



John Totleben.

Em 16 edições escritas por Moore, cinco artistas deixaram sua marca em MIRACLEMAN: O limitado Chuck Beckum/Austen (X-MEN, VINGADORES), o empolgante e realista Garry Leach (JUIZ DREDD), o comercial e agradável Alan Davis (X-MEN, EXCALIBUR), o sombrio John Ridgway (HELLBLAZER) e o primoroso e original John Totleben (MONSTRO DO PÂNTANO).

Origem
Criado em 1954 por Mick Anglo para substituir as aventuras do CAPITÃO MARVEL, que pararam de ser distribuídas na Inglaterra, MARVELMAN, como foi chamado na época, não passava de um plágio descarado do próprio CAPITÃO MARVEL, com origem, poderes e personagens muito similares à sua contraparte americana. E ainda com alguns detalhes retirados de Superman, como as cores da roupa, o cabelinho pega-rapaz e a profissão de seu alter-ego, Mike Moran. Em 1963 foi publicada a última aventura de MARVELMAN na Inglaterra, que na época foi publicado no Brasil com o nome JACK MARVEL.




Vinte anos depois, em 1982, Alan Moore, até então apenas conhecido por alguns trabalhos na revista 2000AD, é contratado pela Eclipse Comics para recontar a história do paladino azul. Os quadrinhos de super-heróis nunca mais seriam os mesmos...

Sinopse

Mike Moran, um repórter freelancer de 42 anos e sem muitas perspectivas na vida, é atormentado por dores de cabeça e estranhos sonhos de voar. Mas quando vira refém de um grupo terrorista enquanto cobre uma manifestação, algo acontece e Moran descobre que seus sonhos eram bem reais. Agora, como Miracleman, personagens de seu passado misterioso surgirão das sombras e revelarão conspirações governamentais, inimigos e até mesmo alienígenas. E ele terá que tomar decisões que afetarão sua vida e a de todo ser humano no planeta.

O processo

Devido a falência da ELIPSE COMICS, apenas 24 números de MIRACLEMAN foram publicados. A 25ª edição chegou a ficar pronta, mas sem colorização. Essa edição, assim como o resto do volume A ERA DE PRATA e o último, A IDADE DAS TREVAS, aguardam sinal verde da MARVEL ENTERTAINMENT - que depois de um longo e confuso processo, agora é dona dos direitos sobre o personagem - para serem produzidas. Isso ainda depende de um futuro acordo com Neil Gaiman. A boa notícia é que Gaiman já manifestou diversas vezes seu interesse em finalizar a saga de MIRACLEMAN.



Durante o demorado e complicado processo, ate Todd MacFarlane deteve o direito do personagens durante alguns anos.


Com isso espera-se também a republicação de toda a fase Moore/Gaiman, que há muitos anos só pode ser encontrada completa em inglês nas mãos de colecionadores e comics stores a preços bem salgados.

Em relação ao nome do herói, ele foi modificado do original MARVELMAN para MIRACLEMAN na fase ECLIPSE justamente por ameaça de processo pela MARVEL, que detém direitos sobre o nome. Ironicamente, com o personagem comprado pela MARVEL, ele volta a denominar-se MARVELMAN. Mas como aqui vou falar da fase ECLIPSE, vamos considerá-lo apenas como MIRACLEMAN.

A obra

Geralmente evito falar dos principais eventos da narrativa para não estragar a leitura de quem ainda não teve a oportunidade de ler os gibis, mas por considerar este um dos melhores quadrinhos que já tive oportunidade de ler, pretendo fazer uma tentativa de análise minunciosa e por isso, os spoilers serão tão necessários quanto inevitáveis.
Então, procure pegar emprestado, comprar ou achar a obra em algum lugar e depois continue lendo esse texto.

Divida em volumes publicados em capítulos, Alan Moore escreveu os três primeiros, sendo eles:

UM SONHO DE VOAR




O volume começa reintroduzindo uma antiga história dos anos 50 do MIRACLEMAN de Mick Anglo. Ingênua e caricatural como a maioria dos gibis de super-heróis da época, ela serve como prenúncio da grande virada que Alan Moore pretende dar ao personagem. Nesta história com narrativa quase infantil, a Gestapo Internacional, uma sociedade criminosa do “futuro de 1981” vai ao ano de 1956 para dominar o mundo. Seus planos são frustrados por Miracleman, Young Miracleman e Kid Miracleman. E pronto, agora o leitor já sabe que existia algo chamado Família Miraclamen.

Ao final, Moore homenageia essa era fazendo um gancho com o útlimo quadrinho de Anglo e anexa um trecho de ASSIM FALOU ZARATHUSTRA, de Nietszche, e pela primeira vez nos quadrinhos, as idéias do filósofo que criou o conceito do “ubermensch” (super-homem) serão usadas para dar vida e justificar um super-herói  pós-moderno.

A narrativa reinicia no presente, 1982, e o traço realista e fotográfico de Garry Leach substitui o quase amador de Anglo e vemos terroristas dirigindo-se para algum lugar e Mike Moran acordando de mais um pesadelo onde ele voa... e morre.

Talvez alguns estranhem o excesso de recordatórios e balões na narrativa, e realmente eles poluem bastante as páginas, muitas vezes cobrindo o desenho de Leach. Nesse ponto, acho que Moore se excedeu em sua tentativa de colocar um tom literário na obra e a ECLIPSE errou em não publicar uma edição com mais páginas, dando assim, mais espaço para a bela arte de Leach.

Mas apesar disso, o tom literário e detalhado de Moore também é o grande trunfo de Miracleman, e assim ele garante que tanto o narrador quanto os personagens, tenham voz na trama.

E a descontrução do MIRACLEMAN de Anglo e a era do super-herói pós-moderno começa: Mike Moran relembra a palavra mágica e sua mera transformação manda um homem com sérias queimaduras para o hospital. Ele derrota os terroristas rapidamente e parte em júbilo aos céus, pois agora ele sabe quem ele é. Basicamente, nessa seqüência, a questão não é prender os vilões como nos quadrinhos convencionais, mas sim o resgate da memória e a explosão de júbilo de Mike Moran diante da descoberta do seu outro eu, Miracleman.




E a partir daí a crise de identidade do homem/super-homem tem início. 

Miracleman voa para seu apartamento onde encontra sua esposa Liz, que não compreende como seu marido parece 10 anos mais jovem e com mais de 2 metros de altura. Sua incredulidade é levada aos limites quando Miracleman lhe conta de suas antigas aventuras nos anos 50 e 60 contra monstros, super-vilões e alienígenas. E da bomba nuclear que foi usada para tentar matar ele, Jovem Miracleman e Kid Miracleman. O fato é que sua esposa lembra-lhe que não existe nenhum registro oficial em qualquer mídia de super-heróis ou qualquer coisa do tipo. Afinal, esse é o mundo real. E super-heróis e monstros não existem.

A trama se intensifica e mantém seu ritmo acelerado, revelando que Johnny Bates, o Kid Miracleman, também sobreviveu a bomba nuclear que deveria ter matado a família Miracleman. Um homem adulto agora, Bates é o dono de uma grande indústria. Mas durante o encontro, Moran e Liz percebem que ao contrário de Moran, que permaneceu preso em sua forma humana durante 20 anos, Bates jamais reverteu para seu lado humano e sendo a criança mais poderosa da Terra livre de qualquer controle adulto, ele percebeu que poderia fazer o que quisesse sem se importar com as conseqüências ou punições. E sem remorso. O ubermensch de Nietzsche, em sua versão piscopata.




Após uma violenta batalha terrestre e aérea que influenciaria em muito a batalha final entre Neo e o Agente Smith em MATRIX REVOLUTIONS, Bates diz a palavra mágica e reverte ao seu corpo e mente infantil, traumatizado com as atrocidades que seu alter ego fez ao longo dos anos. Moore, aqui, faz Miracleman apiedar-se do menino e o faz poupá-lo. Mas o deixa entregue a própria sorte... Uma criança orfã de 1963 largada a sua própria sorte no ano de 1982.

E entra o ilustrador Alan Davis, que apesar de ser bastante competente, acaba com a força e o realismo de Leach, bem mais em sintonia com a trama.

Mas como dizia antes, esse é o mundo real e apesar do confronto entre Bates e Miracleman ter causado pouca destruição, ele tem testemunhas e imediatamente as autoridades britânicas são informadas até chegar a Dennis Archer, um homem idoso que diz: “Oh, Deus. Eles voltaram. Os monstros voltaram.”

O Sr. Cream, um agente secreto do governo britânico é chamado para encontrar e matar os “monstros” em sua forma humana.



Enquanto isso, Moore aproveita para fazer um pequeno estudo pós-moderno dos poderes dos super-heróis aplicando as leis da Física ao colocar Liz e Miracleman testando seus poderes em campo aberto com uma pilha de gibis ao lado para termos de comparação. Piadinhas com supersopro e o tamanho dos músculos necessários para erguer grandes pesos detonam com a “lógica” dos gibis. E a seqüência acaba com a bombástica notícia de que Liz está grávida de Miracleman e não de Mike.

A crise entre o homem e o super-homem se acentua, pois Mike percebe que quando é Miracleman, não apenas seu corpo, mas sua mente e suas emoções são muito superiores às de quando é humano. Ele começa a perceber-se como uma entidade separada de seu super-alter ego e isso começa a resultar em sentimentos de inferioridade e baixa autoestima.





Moran é pego em uma armadilha pelo agente Cream, que percebendo o potencial de Miracleman, decide voltar-se contra o governo e libertar Moran, que concorda em confiar em Cream, pois ele sabe sobre a organização governamental secreta Show Fantasma e o Projeto Zarathustra, que segundo Cream, possui arquivos sobre Miracleman e seu estranho passado.

Nesse capítulo Moore mostra seu talento para ficção-científica e sua genialidade em conseguir encaixar o passado fantasioso das aventuras ingênuas dos quadrinhos de Mick Anglo com a realidade pé-no-chão do seu Miracleman. É um daqueles momentos únicos em que você se pega intelectualmente emocionado com a criatividade de um autor e simplesmente pensa: “Puta que o pariu, esse cara é bom demais!”

      
A SÍNDROME DO REI VERMELHO




Esse volume abre com o sequestro de Liz pelo Dr. Emil Gargunza, o cientista por trás do Projeto Zarathsutra. Sua intenção não é dominar o mundo, como era nas fantasias implantadas na mente de Miracleman, mas ganhar a imortalidade transferindo sua mente para o corpo do bebê de Liz e Miracleman e assim atingir a imortalidade em um corpo perfeito. O medo da decadência física e da morte é o que impulsiona os atos de Gargunza. E quem pode culpar ele por isso?

Descrito assim, a história parece igual a qualquer gibi de super-herói vagabundo por aí, mas a força com que Moore descreve as motivações e medos de seus personagens é algo que era inédito até então. E a narrativa tem muito de cinematográfica na estética de Moore e Davis.

Ao mesmo tempo, Moore nos brinda com um interlúdio do passado da Família Miracleman e Gargunza, ilustrada pelo traço solto de John Ridgway (HELLBLAZER), onde Miracleman luta com seu inconsciente para libertar-se da prisão mental imposta por Gargunza. O final, irônico, também explica uma das modificações que Moore adicionou ao personagem.

No capítulo seguinte, Moore dedica-se a contar a origem de Gargunza, um pobre menino latino-americano com QI de gênio e uma mente de sociopata que vai para a Europa e tem contato com filósofos como Heidegger a acaba trabalhando nos projetos de eugenia de Adolf Hitler. Ao fim de Segunda Guerra, é fato que muitos cientistas nazistas acabaram indo trabalhar para os EUA, A URSS e o Reino Unido. O programa Apollo que levou o homem à Lua foi capitaneado por Werner Von Braun, um dos cientistas responsáveis pelos mísseis V-2 de Hitler. Moore aproveita mais uma vez um fato histórico e coloca Gargunza para trabalhar com os militares britânicos e aproveitando a mitologia de Roswell, ele faz cair uma nave espacial na Inglaterra de 1947. E após anos de engenharia reversa, Gargunza finalmente cria super-humanos com base na tecnologia e na criatura morta que veio com a nave alienígena.




Miracleman e o agente Cream acham o esconderijo de Gargunza na região do Amazonas e o leitor se pergunta como, em um mundo aparentemente real, um velho e alguns capangas terão poder para deter um super-homem que uma bomba nuclear não foi capaz de deter? Com engenhosidade e uma grande sacada de Moore: se uma palavra mágica (pós-hipnótica) é o gatilho para a troca de corpos entre Mike Moran e Miracleman, porque não criar uma outra palavra pós-hipnótica que quando ouvida reverte a transformação em caso de emergência?!
E a outra divertida sacada de Moore é quando Gargunza explica para um Moran apavorado, que antes de testar a tecnologia alienígena em humanos, eles, obviamente, testaram em animais...

E Gargunza manda os dois homens fugirem antes de soltar o monstro com o debochado nome de Miraclecão, atrás deles.


E o bom de ler uma obra de Moore com tantas reviravoltas e desafios é saber que ele sempre vai resolver a trama de modo esperto e inteligente e é dessa forma que Moran escapa de ser morto pelo monstro e retorna a ser Miracleman. Nesse momento ele tem seu encontro com 3 capangas de Gargunza, ex-nazistas, e um deles fica feliz com que Miracleman tenha escapado, pois ele é o exemplo supremo da raça ariana da qual seu Furher tanto falava. A situação limite a que Moran foi imposto resulta na violência impiedosa com que Miracleman elimina os capangas de Gargunza mostra que o super-homem de Moore agora começa sua ascenção para além do Bem e do Mal. 




 E finalmente Miracleman encontra seu criador cara à cara, leva-o até os confins da atmosfera, beija-o na boca em despedida (cena provavelmente inspirada por BLADE RUNNER) e o joga contra a Terra. A reflexão filosófica de Miracleman nesse ponto dá o tom do que está por vir.

O capítulo seguinte é um interlúdio criado apenas para dar tempo para Moore e Rick Veitch (MONSTRO DO PANTÂNO, THE ONE) conseguirem finalizar (e provavelmente negociar com os editores) o polêmico nº 9. Assim, a edição 8 foi recheada de antigas histórias de Mick Anglo. Uma das editoras é usada como personagem entre elas para entreter o leitor enquanto ele aguarda pela retomada de Moore e Veitch. Metalingüística aplicada.


 


E o número 9 chega com uma advertência na capa. E por causa dela , mesmo plastificada, muitas bancas se recusaram a vender a revista nos EUA. Porque lá a crença cristã deles permite que crianças e adolescentes possam ver um homem explodindo a cara de outro homem com um tiro e está tudo bem, mas é o Inferno na Terra se uma criança ou adolescente vê um orgão sexual em uma revista em quadrinhos ou em um filme. E Moore e Veitch resolveram que nesse número eles mostrariam o parto de Winter, a filha de Miracleman e Liz, da mesma forma que você veria se tivesse que fazer um. Em uma bela homenagem ao mistério da Vida, Miracleman tece reflexões filosóficas sobre toda a trajetória de sua existência e as motivações de Gargunza. Para as ilustrações, Veitch disse que comprou um livro médico sobre parto e basicamente usou várias delas como modelo para as cenas. Bem, como todo parto humano, não é nada estéticamente belo aos olhos, mas é verdadeiro e ousado e isso é o que conta. E claro, o bebê não é um bebê comum...


Gargunza está morto, mas ele era apenas a ponta da lança que Moore prepara para o leitor. Um estranho casal de preto começa a investigar o paradeiro de Bates, Miracleman e de uma mulher misteriosa. Enquanto isso, o stress dos últimos acontecimentos e o estranho comportamento de Winter começam a cobrar sua dívida com Liz, que parece à beira de um colapso nervoso. E mais uma vez, o escritor Moore nos entretém com sua estílistica, dando ao casal de preto uma linguagem rebuscada e diferenciada, evidenciando sua origem celestial.

   OLYMPUS




O último livro da saga de Moore inicia vários anos depois da última edição, com Miracleman vagando por um palácio de proporções titânicas, onde durante todas as edições, ele visitará e comentará as maravilhas que ele contém: exercícios de futurismo, ficção-científica e filosofia de Moore. Uma espécie de “Museu de Babel” em quadrinhos. Mas enquanto flutua em sua morada divina, Miracleman divaga e reflete sobre o passado e em um livro de aço ele escreve suas recordações dos dias antes dos deuses...

E para o deleite dos leitores, John Totleben assume as ilustrações até o final deste volume, impactando-nos com imagens tão belas quanto grotescas.

A narrativa em flashback começa com o jovem Johnny, agora abandonado em um orfanato e sofrendo nas mãos de outros garotos e ainda lutando contra o monstro dentro de sua mente infantil. Enquanto isso, Moran deixa sua esposa e filha em casa, sendo seguido pelo casal de preto.



Moran troca para sua identidade de Miracleman para confrontar seus perseguidores e para sua surpresa, eles também trocam de corpos, mas corpos alienígenas, monstruosos e mais poderosos que Miracleman. Ao descobrirem que Miracleman possui uma filha, um deles imediatamente parte atrás da criança o que faz com que Miraclewoman saia das sombras para ajudar Liz e o bebê. A partir desse volume, Moore e seus personagens não mais se tratam como ou acham que são super-heróis, mas eles começam a perceber a verdadeira extensão de seus poderes e passam a denominar-se deuses. E Moore e Totleben esforçam-se ao máximo para que a diferença de comportamento, idéias e corpos seja notadamente diferente dos humanos comuns. Na narrativa, Miraclewoman é o agente que inicia o processo mental de humano para divindade em Miracleman.   
 
Derrotados os aliens, Miraclewoman revela sua origem secreta para Miracleman e Liz. Criada secretamente por Gargunza, juntamente com Young Nastyman, ambos faziam parte de um plano secreto para procriação com o objetivo de atingir a imortalidade. Mas enquanto Gargunza fazia sua lavagem cerebral nos dois corpos adormecidos, ele mesmo tentava engravidar uma Miraclewoman inconsciente. Mais uma vez Moore choca o leitor contrapondo os quadrinhos de heróis com suas fantasias veladas de sexualidade com a realidade nua e crua de um estupro perpetrado pelo vilão. E como mulheres amadurecem mais rápido do que os homens, assim foi com Miraclewoman, que percebeu-se deusa já nos anos 60. E como muitas de suas colegas mitológicas, optou por permanecer longe do mundo dos homens. A edição 12 encerra com MM e MW sendo levados pelos aliens para descobrirem sobre suas origens. E o pequeno Johnny segue sendo espancado no orfanato...




Levados para um mundo alienígena, MM e MW descobrem que os Qys são uma raça que troca de corpos como nós trocamos de roupas e os Warpsmiths são seus inimigos em uma Guerra Fria milenar. Mas ambas as raças concordam em tornar o planeta neutro depois que MW propõe ao seu líder que ao invés de guerrearem pelo planeta o usem para fazer sexo. Afinal, um motel planetário é muito mais vantajoso para todos do que mais um campo de batalha. Apesar de soar engraçado, a idéia de que o sexo pode resolver conflitos é conhecida por qualquer casal que após uma briga transa loucamente e fica em paz. Na literatura, a peça LISÍSTRATA, de Aristófanes (escrita 411 A.C.), brinca com a idéia das mulheres gregas fazendo uma greve de sexo para acabar com a Guerra do Peloponeso. E na natureza, a sociedade matriarcal dos macacos Bonomo, resolve seus conflitos usando e abusando do sexo. E nós humanos ainda nos consideramos mais inteligentes que esses macacos... Mas de volta ao universo de Moore, é graças ao nascimento de Winter, a primeira super-humana nativa a nascer no planeta Terra, que Qys e Warpsmiths passam a considerar a Terra um mundo inteligente. E que finalmente pode sair da categoria de mundo habitado por meros animais selvagens. Essa edição prima por trabalhar conceitos de FC hardcore, filosofia, sexo, paternidade e civilização aplicados aos super-heróis. A única outra obra que abordou tantos temas juntos com a mesma inteligência e sagacidade foi WATCHMEN, do próprio Moore. E não deixa de ser divertido notar que enquanto estão no planeta dos Qys, MM tem seus pés no chão o tempo todo, enquanto MW permanece flutuando sempre, evidenciando sua aceitação como ser superior e divino. 

Na edição seguinte, Liz, confusa e deprimida com tudo o que está acontecendo, decide ficar longe de MM e Winter. Winter, com poucos meses de vida, aproveita a oportunidade para ter uma conversa franca com seu pai, pára em pouco tempo partir para o mundo dos Qys em busca de um conhecimento que seu pai não é capaz de lhe dar.
E em uma seqüência triste e silenciosa, Moore e Totleben mostram um Mike Moran destituído de sua famíla, desistindo de sua vida e afetos humanos. O confronto entre o homem e o super-homem era inevitável e seu desfecho realista vai contra todos os outros desfechos do tipo apresentados nos demais quadrinhos de super-heróis, que sempre optam pelo humano sobre o divino (Superman sempre prefere ser Clark Kent e não o contrário).
No final da edição, a violência contra a criança Bates chega ao limite em uma angustiante cena de estupro onde em desespero, a criança diz a palavra que liberta um deus enlouquecido sobre o mundo dos homens.


 



Em Nemêsis, Bates está a solta sobre Londres e ao contrário de vilões de mentalidade adolescente, ele não faz ameaças ou reféns na tentativa de fazer Miracleman aparecer para enfrentá-lo. Em uma demonstração clara de seu poder e psicose, ele tortura e esquarteja dezenas de milhares de crianças, homens e mulheres. O horror e a violência gráfica das ilustrações Totleben nessa edição de MIRACLEMAN encontram comparações imediatas nas pinturas de Bosch sobre o Inferno e em ilustrações medievais mostrando pessoas sendo torturadas. Tenho sinceras dúvidas de que nesses tempos vergonhosos do politicamente correto, uma edição dessas teria sido publicada sem censura.
Em um tom poético em primeira pessoa, Miracleman relembra do dia terrível em que a humanidade descobriu que os deuses existiam e que eles podiam ser ainda mais cruéis que o deus do velho testamento. A narração é um complemento ao que a arte não reproduz e vice-versa, em uma perfeita simbiose da arte seqüencial, onde nada é redundante e toda palavra e traço acrescentam.
Miracleman, Miraclewoman, os Warpsmith e o Firedrake confrontam Bates em uma batalha onde metade de Londres é destruída e centenas de civis vão sendo mortos no fogo cruzado entre os deuses. E como em todas as obras super-heróicas de Moore, o herói deve, ao final, cometer um sacrifício físico ou moral para atingir seu objetivo.
E como numa guerra real, ninguém ganha, todos perdem.   
No desfecho da edição, dois anos após o confronto, Miracleman faz uma última reflexão histórica sobre uma Londres arruinada e coberta de ossos; a de que não existe civilização, ideologia ou religião que não tenha sido erguida sobre ossos humanos.




Nesse ínterim, uma edição da WARRIOR traz uma história curta de MIRACLEMAN que revela uma seqüência esclarecedora de um único quadro de Nêmesis. Moore escreve e três ilustradores dividem a arte em capítulos curtos. E Garry Leach volta a ilustrar Moore em um história breve sobre a eterna batalha dos Warpsmiths contra os Qys.

E no último capítulo, Olympus, completamente anti-climático em termos de quadrinhos de super-heróis, mas completamente necessário a tudo o que vinha sendo construído até o momento, Moore continua com as reminiscências de Miracleman sobre o passado, quando Bates destruiu Londres e o mundo inteiro ficou sabendo da existência de super-heróis e extraterrestres.
Nessa edição não há batalhas apocalípticas, pelo contrário, há atitudes.
Miracleman e seus aliados decidem que devem fazer aquilo que nenhum super-herói de ficção jamais teve coragem de fazer: mudar o mundo.
Moore então, aplica aqui todas as idéias libertárias e radicais já sugeridas e publicadas por milhares de intelectuais, sociólogos e humanistas desse planeta. Lembra a música “Imagine” de John Lennon? Quase isso, porque afinal, não existe perfeição e só 4 anos se passaram desde Bates e a humanidade ainda não assimilou completamente a existência de deuses na Terra e muitos são incapazes de aceitar o admirável mundo novo imposto por Miracleman e seus aliados.
Bates agora tem seguidores, aquele tipo de gente que idolatra serial killers e fundamentalistas cristãos e islâmicos, cujas diferenças nunca foram muito grandes, se juntam contra os deuses criados pela ciência.
Com seus cérebros evoluídos e o know-how de raças extraterrestres, o dinheiro é extinto, as drogas são legalizadas, o crime acaba, os governantes são destituídos, a maioria das doenças é curada, o meio ambiente é reparado e a arte, o sexo e a ciência se tornam livres de toda censura.
Tudo passa a ser permitido, nada será proibido.




Ao final do volume, Alan Moore firma definitivamente seu nome como um dos melhores escritores de quadrinhos do século XX, com sua saga do homem que se torna um deus. Mais tarde ele voltaria a essa temática em WATCHMEN, trabalho que a maioria dos críticos e leitores consideram sua obra-prima. Entretanto, eu discordo e acho que Moore possui várias obras-primas, sendo MIRACLEMAN a primeira delas.    

Depois de Olympus, Moore encerrou seu trabalho com MIRACLEMAN e passou o bastão para seu “afilhado” Neil Gaiman. E na segunda parte deste texto, pretendo analisar o último volume da saga de MIRACLEMAN - A ERA DE OURO, escrita por ele.

Kimota! 



quarta-feira, 7 de dezembro de 2011

AVON FINANCIA TESTES EM ANIMAIS NA CHINA - Denúncia



Este artigo foi publicado originalmente no blog CONSCIÊNCIA.BLOG.BR e está sendo republicado neste blog com a permissão do proprietário do mesmo.


Por Robson Fernando de Souza

Há algumas semanas a PETA removeu da lista de empresas cruelty-free a Avon, que até então era muito conhecida e respeitada pelo mundo por sua política de não testar seus produtos em animais não humanos e pelo encorajamento de métodos alternativos de testes de segurança de cosméticos. E incluiu a companhia entre as empresas que fazem testes em animais.

Isso deixou muitos consumidores veganos dos produtos da empresa atordoados sobre o por quê desse retrocesso. E uma leitora me avisou dessa mudança. Tratei então de investigar por que isso aconteceu. Enviei e-mail primeiro à PETA, e assim me responderam (tradução livre):


Caro Robson,
 

Obrigado por nos contatar sobre a Avon. A Avon estava incluída na lista cruelty-free da PETA por mais de duas décadas, daí ficamos atordoados ao saber que ela está pagando por testes em animais na China. Isso significa que a Avon não se qualifica mais para ser listada como cruelty-free, e nós a movemos da nossa lista de empresas que baniram permanentemente todos os testes em animais para nossa lista de companhias que testam sim em animais.
 

Pelos testes em animais serem requeridos pelo governo chinês antes de muitos produtos cosméticos poderem ser comercializados na China, algumas companhias escolhem não vender seus produtos lá. Nós convocamos você para apoiar essas empresas e continuar comprando produtos das mais de mil empresas de nossa lista de cruelty-free, que pode ser encontrada em http://www.peta.org/living/beauty-and-personal-care/companies/default.aspx. Por favor, faça a Avon saber por que você não comprará mais seus produtos.

Avon Products, Inc.
1345 Avenue of the Americas
New York, NY 10105
dearavon@avon.com
212-282-5000
800-367-2866
 

Graças a um generoso financiamento dado à PETA, nós agora estamos apoiando os esforços do Instituto pelas Ciências In Vitro (http://www.iivs.org), que está provendo treinamento para cientistas na China no uso de métodos não animais de teste e trabalhando com membros do governo para aceitarem os métodos não animais que são usados nos EUA, na União Europeia e em muitas outras partes do mundo. Nós estamos demandando da Avon para que contribua significativamente para esse esforço apressar o processo.
 

Para ler mais sobre métodos não animais e como a PETA tem sido instrumental na aceitação desses testes por governos ao redor do mundo, por favor visite http://www.peta.org/issues/animals-used-for-experimentation/peta-scientific-papers-and-presentations.aspx.
 

Para aprender mais sobre como os animais sofrem em laboratórios, por favor vá a http://www.PETA.org/issues/animals-used-for-experimentation/default.aspx. Para se envolver nas outras campanhas da PETA, por favor veja http://www.PETA.org/action/default.aspx. Para fazer uma duação em apoio às campanhas da PETA para parar a crueldade contra animais, por favor visite http://www.PETA.org/donate.
 

Obrigado novamente por escrever e por tudo que você faz para ajudar os animais.
 

Com sinceridade,
 

O staff da PETA
http://www.PETA.org



Sabendo desse infeliz fato, enviei e-mail à Avon cobrando explicações e dizendo que não compraria mais produtos da empresa enquanto não parasse de pagar testes em animais na China. A companhia assim respondeu (tradução livre):


Obrigado por compartilhar seus pensamentos.
 

Obrigado por nos contatar.
 

O comprometimento da Avon em não testar em animais é o mesmo que tem sido por mais de vinte anos. 

Nada mudou, e nós continuamos a estar em comunicação com a PETA sobre o assunto. Nós sempre temos deixado bem claro que a Avon não conduz testes em animais “exceto quando exigido pela lei”. A Avon faz negócios em mais de cem países, e uma pequena porção desses países tem leis que requerem testes em animais. A Avon é apenas uma de uma longa lista de empresas de beleza globais que encaram a mesma questão. As únicas companhias que não vivem isso são aquelas que comercializam seus produtos em um número limitado de países. No entanto, em todo caso, antes de cumprir a lei, a Avon faz um esforço de boa-fé para persuadir a autoridade exigente a aceitar dados de testes não animais.
 

Por favor leia o anexo [em inglês] para aprender mais
 

Para colocar isso em perspectiva, a Avon oferece aproximadamente 9 mil produtos em mais de 100 países, e em 2011 menos de 0,3% desses milhares de produtos da Avon foram testados em animais tal como exigido pela lei (isto são três décimos de um porcento – 9000 x 0,003). Nossa meta é levar esse número a zero. É importante notar que a Avon independentemente substancia a segurnaça de seus produtos sem qualquer teste em animais e todo o programa global de segurança de produtos é calcado na oposição a testes desnecessários em animais e no respeito ao bem-estar animal. Em 1989 a Avon foi a primeira grande empresa de cosméticos no mundo a estabelecer uma política de não testar em animais. A única razão que uma pequena porção de produtos são testadas em animais é porque alguns governos ainda preciam aceitar o uso de abordagens alternativas cientificamente válidas para asseguramento de segurança.
 

Embora não possamos falar em nome da PETA, nós acreditamos que eles tenham decidido se tornar defensores mais agressivos na arena global com o foco em mudar leis na porção de países que requerem testes em animais para cosméticos. Avon e PETA compartilham o objetivo comum de persuadir os governos a aceitarem alternativas de abordagem cientificamente válidas aos testes em animais. A Avon está trabalhando junto com outras empresas globais de beleza para obter a aceitação de alternativas aos testes em animais ao redor do mundo.
 

É importante notar também que a Avon oferece empregos e oportunidades econômicas para indivíduos ao redor do mundo, com 6,5 milhões de representantes de vendas ganhando dinheiro para sustentar a si mesm@s e a suas famílias – e a vasta maioria d@s representantes de vendas são mulheres. Isso inclui muitas na China para quem as oportunidades econômicas são muito limitadas.
Representantes de vendas e consumidores da Avon podem continuar usando os produtos da Avon com confiança.
 

Susan Heaney
 

Equipe de Responsabilidade Corporativa da Avon
 

A Avon está comprometida em ser uma cidadã global responsável. Saiba mais em http://responsibility.avoncompany.com/


O que quer dizer que a Avon faz testes em animais não apenas na China, mas também numa quantidade indeterminada, dita pequena, de outros países.

Um detalhe importante a se observar é que, se houver um boicote vegano à Avon por ela pagar testes em animais nos países que obrigam tais testes e esse boicote for abertamente anunciado e persistentemente renovado pelas ONGs de defesa dos Direitos Animais, a Avon e outras empresas multinacionais de cosméticos e outros produtos vão pressionar os governos/regimes desses países de legislação especista a mudarem suas leis. Se não se deixam mudar com o apelo do povo, terão que mudar com a coerção das grandes empresas. Isso acreditando-se que essas corporações realmente irão se comprometer em pressionar governos/regimes para abolir a obrigatoriedade dos testes em animais.

Portanto, fica o aviso: a Avon ainda paga pela realização de testes em animais em países como a China.

Cabe aos veganos decidir boicotá-la desde já ou lançar um debate sobre a questão, se realmente vale a pena ou não fazer esse boicote. Esse assunto promete dividir opiniões entre nós vegan@s com a seguinte pergunta: é produtivo boicotar empresas multinacionais que são obrigadas por lei em outros países a testar seus produtos em animais?


Leia mais sobre direitos animais, vegetarianismo e assuntos relacionados em CONSCIÊNCIA.BLOG.BR.




segunda-feira, 5 de dezembro de 2011

DARNA – Trash



Darna é a maior super-heroína das Filipinas. Criada para os quadrinhos em 1950 por Mars Ravelo e Nestor Redondo, ela é uma mistura de Mulher-Maravilha com Capitão Marvel.
Em 2005 virou uma série de TV trash, voltada para o público infanto-juvenil. Apesar do sucesso, permaneceu no ar somente uma temporada. Talvez seja assim com as séries por lá. Na Inglaterra, por exemplo, séries tem apenas 6 episódios por ano.
Em 2009/2010, foi feita mais uma temporada, com outra atriz no papel de Darna. É essa que vocês conferem uma cena aqui: um episódio onde Darna enfrenta uma feiticeira que se transforma em uma cópia malvada dela.
Está em filipino, claro, mas o que interessa é a ação ;-)

sábado, 3 de dezembro de 2011

CAPRICHO 1035

 No quadro:
"Não vou mais twitar CALA BOCA GALVÃO."
 
Não é só o rei da Espanha que pode. Você também pode falar...
CALA A BOCA!

1) No aniversário da sua tia distante, quando todos os parentes que você mal conhece ouvem atentamente sua mãe contar para todos que você fazia xixi na cama até os 11 anos, mas que depois que te mandaram para um psicólogo você melhorou.
Só espero que você tenha onde pedir asilo político depois disso.

2) Para seus novos vizinhos do andar de cima, dois garotos que vivem brigando por causa do computador. Uma pena que você só vai descobrir depois que eles são super-gatos quando pegar o elevador com eles na semana seguinte.

3) Quando sua professora de balé estiver te explicando porque você não tem condições de ser a primeira bailarina. E já peça de antemão para sua mãe te matricular em outra escola.

4) Na consulta com o seu dentista que adora conversar e perguntar coisas quando você está com o sugador na boca cheia de algodão e com um dente aberto. E esqueça da anestesia na próxima consulta.

5) Quando o seu namorado está há horas falando com os amigos dele sobre o timão e esqueceu que você também está lá. E abra seu coração para procurar por um novo amor.

6) Para tirar onda com a sua nova colega de aula, que é surda-muda, mas consegue ler os lábios. E depois explique para os seu pais de onde veio aquela intimação judicial.

7) No karaokê, quando sua melhor amiga, aquela com voz de gato sendo espancado, estiver no auge do “Fácil! Extremamente fácil pra você, e eu e todo mundo cantar junto”. E aí trate de arranjar uma nova amiga que não tenha um mau gosto musical desses.


Jerri Dias vai calar a boca antes de falar mais besteira.

quinta-feira, 1 de dezembro de 2011

GUFFO - Entrevista

 O diretor, o fã...

Conheci o Gustavo Fogaça, ou Guffo, em 2006, quando fizemos juntos com outros roteiristas e cineastas, uma oficina de roteiros para os curtas aprovados no projeto HISTÓRIAS CURTAS da RBS TV. Nascido em Porto Alegre, tinha tudo para ser bairrista, mas por sorte conseguiu morar boa parte de sua infância e adolescência na Inglaterra, França, Espanha, Chile, Colômbia e Argentina.
Formado em Cinema em Buenos Aires, Guffo trabalha com audiovisual desde sempre, mas apaixonado por música, se dividiu em dois para ter uma carreira em ambas as áreas.
Provavelmente é por isso que seus dois primeiros longas, um documentário e uma ficção, unam justamente as artes que ele mais aprecia.


Comecemos do começo. De onde veio sua paixão pelo cinema?

Cara, desde criança eu pegava a câmera do meu pai e, junto com minha irmã Carmela (que hoje é atriz) e meus primos, faziamos novelas, séries e besteiras. A gente montava na CAM mesmo ou com dois aparelhos de VHS. Ao virar adulto, me dei conta que eu sei contar histórias com imagens, e o cinema virou o caminho natural.


NARANJO (1996), curta realizado na Argentina.


E como foi entrar na área? Sua família apoiou ou rolou aquele papo “primeiro faz Medicina.”?

Hahaha...boa! Todo trampo com cunho artístico rola uma preocupação familiar, porque é uma vida muito inconstante. O mundo lá fora não tá preparado para quem vive de arte...tipo, vai alugar um apartamento sem renda fixa? Ou pegar um empréstimo. Ou qualquer coisa da chamada "vida real"...é muito complicado! E na minha vida, ANTES do cinema veio a música...que é bem mais difícil ainda. Então, apesar dos meus pais de alguma forma ou outra terem me apoiado, eu também tive que brigar muito com eles pra mostrar que era essa a minha vida, as minhas escolhas, e que eu só poderia ser feliz vivendo de arte. Foi complicado, mas aqui chegamos!

Você acha que o fato de ter vivido em vários países te faz querer fazer filmes mais universais e menos bairristas e/ou com uma pegada brasileira? Ou isso simplesmente não existe?

O que MAIS me influencia como artista é o fato de ver que o mundo é pequeno, e que existem milhões de formas de ver a vida, e todas devem ser respeitadas. A experiência de ter vivido em 10 países ao redor do mundo me deu coisas que ninguém vai tirar de mim, que vou sempre carregar como artista e como pessoa. Na hora de trampar, isso conta, claro. Mas também como trabalho com publicidade e conteúdo, muitas vezes vc tem que satisfazer o cliente, e isso significa fazer o que tem que ser feito, entende?





Como quase todo cineasta brasileiro, você também trabalha com comerciais, vídeoclips e o que mais aparecer na área audiovisual. Para você isso se configura uma necessidade, um aprendizado ou uma escolha?

Cara, primeiro de tudo, é uma necessidade. Só vive de cinema no Brasil hoje quem é milionário ou herdeiro. Porque nós não temos uma INDüSTRIA propriamente dita aqui. Fazer cinema no Brasil é verdadeiramente um processo AMADOR porque vc precisa amar MUITO a parada!! hahaha....falando sério, leva anos pra filmar um longa-metragem e coloca-lo nas salas de cinema ou tela de tv. Nesse meio tempo, alguém tem que pagar as contas.
Aí entra a questão da escolha e do aprendizado. Você escolhe trabalhar com o audiovisual e suas outras janelas. E é claro, que com isso se aprende MUITO (e pagamos as contas!!).

Quais os trabalhos, entre filmes, clips e peças publicitárias que mais te deixaram satisfeito como artista, mesmo sabendo que enquanto artista, se é eternamente insatisfeito?

Sem dúvidas, meus dois primeiros longas, "A Casa Elétrica" e "acasaeletrica.doc" me deixaram muito satisfeito. Por ter feito algo de qualidade, com um baixo orçamento e tirando o MELHOR de todos os profissionais envolvidos. E também por contar uma história INÉDITA pras pessoas, de suma importância.
No quesito clipes e afins, o clipe "Cada vez mais só" que fiz para a banda DRIVE foi muito premiado, assim como o DVD Casa da Bossa da Universal Music, com grandes nomes da MPB. Ultimamente, dois trabalhos que fiz que me deram muita satisfação foram a webserie Ñats e o programa TV Bibi, que são cases de Branded Entertainment, um tipo de conteúdo no qual tenho me especializado.





Eu sei que você tem uma predileção pelo gênero Fantástico (Ficção-Científica, Fantasia e Horror). Você tem planos de fazer algo nesta linha? Vê alguma dificuldade em vender o conceito deste tipo de projeto no Brasil, onde cineastas geralmente optam pela alegoria e pelo Realismo Mágico?

Meu velho, eu sou LOUCO por esses gêneros. De verdade, são meus favoritos. Se eu pudesse, vivia APENAS disso, fazendo e respirando isso diariamente. Então, é OBVIO que pretendo fazer coisas nessa área. Meu curta de finalização da faculdade de cinema em Buenos Aires foi nesse gênero. "Un Infierno para Dante" foi meu curta mais premiado, nacional e internacionalmente.

Fale um pouco sobre seu primeiro longa, A CASA ELÉTRICA.

Em 1998 eu conheci o sobrinho neto de Savério Leonetti, Geraldo. Geraldo me contou a história do seu tio-avô, e eu fiquei totalmente fascinado. É a história de um pioneiro italiano que fundou em Porto Alegre a primeira fábrica de gramofones, e a segunda gravadora de discos da América Latina. Na Casa Elétrica foi gravado o PRIMEIRO samba da história, e o primeiro tango também.
Eu fiz então DOIS filmes sobre a parada: um documentário contando a história real, e um de ficção onde fiz um romance com certas permissões poéticas, mas com todos os fatos reais de pano de fundo. O doc estreiamos agora em abril, e o outro estréia no segundo semestre. Imperdível!!




Além de cineasta, você também tem uma carreira voltada para vários gêneros musicais, como Hip-Hop e Electrorock. Como você faz pra conciliar essas duas atividades? Você se divide em dois, como no seu curta ARTES MORTAS?

Como disse antes, a música veio antes que o cinema na minha vida. Tive uma banda em Buenos Aires, a TABÚ, que foi disco de ouro pela Warner Music, tocamos por toda América Latina, etc e tal...eu compus as trilhas de todos os meus curtas, to compondo a do meu longa junto com o Sergio Rojas, enfim...a música SEMPRE esteve presente na minha vida, seja como for.
Agora estou com uma dupla de electrorock, a GINGER BONES, que certamente vai acontecer, porque as músicas são muito bacanas e a vocalista, Paola Salerno Troian, canta MUITO e tem muito estilo. Aguardem!!

E como sonhar não custa nada, se você tivesse um orçamento ilimitado na mão, que filme você faria?

Nossa, a pergunta MAIS dificil EVER! Cara, eu gostaria de filmar uma trilogia de Star Wars, baseada nos quadrinhos LEGACY, que conta a história de Cade Skywalker, neto de Luke e bisneto do Darth Vader. É simplesmente sensacional!!


 
O diretor, o rockeiro...


E como essa entrevista tem que ter algo de inspirador para as futuras gerações, alguma dica pra quem está começando ou pensa em ter uma carreira em audiovisual? Ou é melhor essas pessoas pensarem em fazer Medicina?
 

Tem que se conhecer, saber quem você é e o que você tem que pode entregar pras pessoas. Viver de arte no Brasil, seja ela QUAL for, é muito difícil. Precisa ter coragem, confiança dentro do possível, saber que é necessário estudar muito, sempre se atualizar, seja técnica ou artísticamente.

Vou deixar uma citação de Oscar Wilde, que eu sempre usei em benefício próprio: "Se não pode convencê-los com teu talento, convença-os com tua paixão".