domingo, 3 de janeiro de 2010

HULK (Hulk, EUA, 2003) – Crítica Retrô

Cartaz do filme.
Clique nas fotos para ampliá-las.

Sinopse

Bruce Banner, cientista dedicado a desenvolver uma cura para qualquer tipo de ferimento ou doença, recebe uma dose fatal de radiação gama e a partir de então, quando irritado, transforma-se em uma monstruosa criatura verde de força descomunal.

Ang Lee discute uma cena com os atores. Ao fundo, Sam Elliott (General Ross).

O Diretor


Responsável por filmes leves com comentários sociais como BANQUETE DE CASAMENTO e RAZÃO E SENSIBILIDADE, dramáticos como TEMPESTADE DE GELO e poéticos como O TIGRE E O DRAGÃO, Ang Lee, diretor nascido em Taiwan em 1954, tem feito uma excelente carreira desde sua estréia com longas em 1992, mantendo um invejável posto como um dos mais versáteis diretores asiáticos da atualidade.

Hulk, em versão do ilustrador Tim Sale.

O Filme

Para quem ainda não sabe, Hulk é um super-herói criado em 1962 por Stan Lee e Jack Kirby para a Marvel Comics Group, hoje Marvel Entertainment. Nitidamente baseado nos personagens DR. Jeckyl e Mr. Hyde de O MÉDICO E O MONSTRO, de Robert Louis Stevenson, Lee e Kirby adaptaram os personagens do romance para o mundo moderno e para o universo super-heróico. O personagem faz sucesso até hoje, representando nosso lado incontrolável, ou ID, para quem curte Freud.

Os atores da série de TV. Bill Bixby (David Banner), já falecido, não pôde fazer uma participação especial nos dois filmes do cinema, como fez Lou Ferrigno (Hulk). Em ambos ele faz o papel de segurança de universidades diferentes.

Entre 1977-82, Hulk ganhou uma série live-action própria que popularizou o personagem como nunca. Embora tenha alterado o nome de Bruce Banner para David Banner (para não ser confundido com Bruce Wayne/Batman), reinventado sua origem e exibido um Hulk muito mais fraco em comparação com o original dos quadrinhos, a série foi um tremendo sucesso ao mostrar um homem atormentado fugindo de seu passado e ajudando pessoas pelas cidades onde passava, seja como ele mesmo ou como Hulk. A série ainda teve mais três longas especiais para a TV nos anos 90.

O CGI (Computer Graphic Image) deste HULK funciona melhor do que o do filme mais recente.

O HULK de Ang Lee custou 137 milhões de dólares e rendeu 245 milhões no mundo inteiro. Isso parece motivo para comemorar, mas segundo a lógica dos estúdios americanos, um suposto arrasa-quarteirão como HULK deveria ter feito esse valor apenas dentro do mercado doméstico (EUA e Canadá) e nele, HULK nem chegou a se pagar, atingindo apenas 132 milhões. Isso explica porque o filme não teve uma continuação e porque foi todo reformulado como O INCRÍVEL HULK em 2008. Na época, frustrado pela crítica dividida, a incompreensão do público e a pressão do estúdio, Ang Lee chegou a pensar em se aposentar, pois até então, toda sua obra só acumulara elogios e prêmios da crítica. Parece uma reação exagerada, mas na tradição oriental, a vergonha de fracassar em algo é sempre uma desonra muito grande. O próprio mestre Akira Kurosawa tentou se matar quando passou por uma má fase artística no final dos anos 60 e início dos 70. Mas até que seria bom se alguns cineastas americanos, como Michael Bay e Rolland Emmerich, adotassem essa prática salutar de se suicidar após fazerem dois ou três filmes ruins seguidos....

Nick Nolte (David Banner) faz o pai dominador, um cientista psicopata que anda com cães-monstros. Seu personagem e visual foram praticmamente copiados do filme mexicano AMORES BRUTOS, onde um assassino-mendigo andava com uma matilha de cães.

Eu confesso que quando vi HULK pela primeira vez, no cinema, achei o filme estranho, achei a edição exagerada em toda sua estilização para fazer o filme parecer uma história em quadrinhos e pior, achei que tinha pouco HULK e pouca luta e destruição.

E o “problema” do HULK de Ang Lee foi esse, ele não fez o que os fãs dos gibis queriam (muita porrada e luta de monstros) e nem o que os fãs da série queriam (um Hulk mais pé no chão e realista).


Ang Lee, como o autor que é, decidiu fazer o HULK que ele viu no quadrinhos: um homem traumatizado com seu passado e cuja vida sempre pareceu ter sido sempre controlada pelos outros, principalmente por figuras paternas, como seu próprio pai, David Banner, e pelo pai de sua namorada, o General Ross.


E sufocado por ambos, Bruce Banner acaba fazendo em sua vida, o que muitos de nós queremos de vez em quando: quebrar com tudo e todos sem ter medo das conseqüências.


Claro, fica muito mais fácil arrasar com tudo se você se transforma em um monstro verde de 3 metros de altura virtualmente invulnerável e com a força de mil homens.


E por incrível que pareça, apesar do HULK de Ang Lee ser mais humano que o da série de TV e lutar contra 2 tipos de monstros no filme e mais o exército, o público talvez tenha ficado confuso com a importância dada ao drama de Banner, mais do que ao monstro. E pensar um pouco ou sentir empatia real pelos personagens principais não é uma característica da maioria das pessoas que vão ao cinema para ver filmes de verão.


Um exemplo do efeito da tela-dividida usada para emular o efeito de uma história em quadrinhos.

Outro aspecto que torna este HULK tão interessante é a edição estilizada que busca emular o aspecto de uma história em quadrinhos ao extremo. Isso, obviamente, já foi feito em menor grau em outros filmes e séries de TV, incluindo a famosa série cômica do BATMAN nos anos 60. Mas graças às modernas técnicas de edição, Lee consegue momentos plasticamente belos na fusão de uma cena para outra. Claro que, até pela quantidade de efeitos de fusão e tela-dividida, nem sempre se acerta e às vezes até pode ficar um pouco confuso, mas esse é sempre um preço que se paga por querer apostar em uma linguagem à qual os espectadores não estão acostumados.
Mas foi assim que toda a linguagem do cinema foi criada, apostando-se nelas.


O HULK de Leterrier é mais ação vídeo-game e menos psicologia. É o que o povo quer, é o que o povo gosta...

E claro, não poderia deixar de citar O INCRÍVEL HULK (2008), de Louis Leterrier, diretor francês de filmes de ação, que pegou o personagem e o transformou em algo mais próximo do monstro dos quadrinhos e do cientista da série de TV. Ganharam os fãs, mas perdeu o cinema, que só ganhou mais um filme de super-herói cheio de efeitos bacanas e nada mais.

Sem Eric Bana caprichando em seu Bruce Banner fragilizado e atormentado, o filme não seria tão bom. Deixou Edward Norton comendo poeira nessa...

O HULK de Ang Lee, ao contrário, é uma daquelas pequenas jóias cinematográficas que vai servir como objeto de monografias, teses de estudantes de cinema e ser lembrado como um dos poucos filmes de super-heróis onde eles foram levados à sério e não meramente pensados para vender mais pipoca na entrada do cinema.

Trailer




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Quando chegar nos 1.000, vou abrir um templo...

5 comentários:

Sophia Schneider disse...

O filme parece ser original, asssitirei.
Quando abrir o templo me avise.
Bjs, Tagarela

Thainá Vivas disse...

Sinceramente, não gostei muito dessa animação toda do HULK, preferia o carinha verde da foto aí no meio, hehe... o HULK antigão que é bom! =DDD

Vivi-chan Wikin disse...

Ainda prefiro o original.
Se gosta de filmes de terror,vai gostar da minha versão para "O fantasma da opera" com bonequinhos do "Crepúsculo".

Bruna disse...

eu ainda prefiro o maskara ODIOEIDOEIO sério, tô ficando viciada, vou até fazer um post sobre ele, yeah

carolina bruna disse...

já eu curto admirar traços e estilos de desenho e aaamo exageros, hulk, claro é um exagero, não dá pra desenha o cara pequeno, então desenham uma muralha, assim como na ilustração q vc postou.
adooooooooooro!