terça-feira, 21 de julho de 2009

MINHA AVÓ

Passeio no Bric da Redenção com minha avó. Ela adorou rever tantas coisas antigas...

Minha avó Maria nasceu em 1919 lá no interior de Santa Catarina e vai fazer 90 anos em dezembro. Minha avó tem a mesma idade da minha escritora preferida, Doris Lessing, que em 2007 ganhou o Prêmio Nobel de Literatura. Mas a minha avó nunca aprendeu a ler.

Mas naquela época a maioria da população brasileira era analfabeta e ela se acostumou com isso. E conseguiu sustentar seus dois filhos pequenos depois que o meu avô, que nunca conheci, morreu atropelado por um caminhão enquanto dirigia sua bicicleta.


Através dos relatos da minha mãe, sei que ela teve suas desavenças com minha avó, mas eu nunca conheci a mãe de minha mãe, apenas conheci a minha avó e posso dizer que nunca tive problema algum com ela. Na verdade, só alegrias. Claro que o fato de você nunca ter vivido o dia-à-dia com uma pessoa favorece que você esteja longe nos maus momentos dela e assim, evitam-se conflitos. É uma posição muito confortável a minha, mas não saberia dizer se esta é uma posição egoísta ou não, visto que hoje minha mãe, que mal consegue andar, tem que cuidar da minha avó e meu tio, filho da minha avó, mora com a esposa e uma filha em um apartamento de dois domritórios e o trabalho ocupa a maior parte do tempo dele.


Hoje estamos procurando um bom asilo para alojar minha avó, que sempre disse que queria ir para um, mas segundo me disseram, muda de idéias às vezes. Na minha frente ela sempre disse que queria ir. Como disse, minha mãe não tem condições de cuidar dela. Apesar de minha avó subir e descer escadas regularmente e caminhar sozinha pelos corredores dos blocos onde mora, ela não tem mais condições de cozinhar e arrumar a casa, coisas simples mas que demandam uma certa concentração e esforço dos quais minha avó não é mais capaz.


Mas o que eu queria mesmo dizer era que minha avó querida, apesar de analfabeta e ignorante a respeito de quase tudo do mundo moderno, me levou pra assistir 2001: UMA ODISSÉIA NO ESPAÇO quando eu tinha 8 anos de idade. Um filme legendado que quase não tem diálogos, mas que mesmo hoje, a maioria dos adultos não entende. Minha avó, acredito, não deve ter entendido nada, mas ela sabia que eu gostava de naves espaciais e meu levou mesmo assim. Eu, claro, também não entendi nada na época, e logo esqueci todo o filme, mas a cena em que o computador HAL é desligado e a música “ALSO SPRACH ZARATHSUTRA” (Assim Falou Zarathustra) de Strauss ficaram gravados na minha memória inconsciente pra sempre e durante 10 anos eu escutei maravilhado essa música tocando em comerciais, rádio e até em outros filmes, sem saber de onde era. Até que eu revi o filme novamente e lembrei.


E hoje, mais de 30 anos depois, estou chegando a conclusão que provavelmente foi minha avó analfabeta e ignorante que me proporcionou a minha primeira experiência cinematográfica genuína, que acabou por detonar meu amor pelo cinema de Ficção-Científica(e ela ainda me levou pra ver GUERRA NAS ESTRELAS depois), pela música clássica e talvez por tabela até minha quase obsessão pelo conceito do super-homem do filósofo alemão Niesztche, que escreveu o livro ASSIM FALOU ZARATHUSTRA, ao qual a música presta homenagem. Até minha graphic novel vem daí.


Eu nunca falei isso pra ela.


Talvez ela nem se lembre daquela sessão, mas isso é certamente algo que ela vai ficar contente de saber.

24 comentários:

Bella disse...

Ah,no fundo ele desconfia dessas coisas...Mas é sempre bom falar, viu!
Eu nunca fui assim com nenhuma das minhas avós, pq a materna morreu eu era criança e a paterna só sabia brigar comigo. Sou assim com minha tia, e com uma tia da minha mãe, as duas são comos madrinhas pra mim. E isso é muito bom!

A propósito, eu tb ñ entendia 2001...uahsuahs

Amelie Heringer disse...

nao me deixe mais nostalgica do que já estou, jerri.
lembranças da casa da vó sao lindas.
e até pra mim, uma guria de 16 anos, já me sinto dolorida de saudades desses dias na casa da ba-chan.

beijos padrinho.

Amie

'Mariana ♥ disse...

que lindo jerri. Sua avó devia(ou deve) ser bem legal *-*
Porque sua coluna não saiu na capricho? (na da demi e da selena) ah, fiquei triste :/

Bjôs doces com calda de cereja com cerveja :*

Karina Jacinto disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
Karina Jacinto disse...

Relembrar fatos, momentos passados faz bem ao coração. Nos faz pensar no que nos tornamos hoje, e com a ajuda de quem. Sua avó deve ser um doce de pessoa.

super beijo cheio de luz ;**

luuh. disse...

Bem legal, comecei a frequentar seu blogger a pouco tempo, mas estou adorando suas postagem, são sempre bem interessantes e que nus faz parar p. pensar em certas coisas que as vezes passam despercebidos, parabeins ae.

beijo.



LuanaMafra.

Eloine disse...

Q bunitinho!!
Sua vô deve ser ou foi bem legal!!

Blog da Satine disse...

nossa ver vc falando sobre a sua avó me deu uma grande inspiração...as avós sao umas fofas ne? pena q as minhas ja se foram. mas tenhos boas lebranças delas gaurdadas comigo.

bjs

http://revelandoflores.blogspot.com/

'-Kelly Viana' disse...

Sua vó mesmo sendo analfabeta te mostrou algo que vc guardou,o gosto pelo cinema.
adorei sua avó!
beijo pra ela e pra vc!

Raafa disse...

Quando eu era pequena sempre passava as férias na casa da minha avó e guardo muuitas boas lembranças dessa época. É lindo de se ler as coisas que você escreve sobre a sua avó, é dificil encontrar alguém qua ama a avó e que a trata bem. BEEIJOS :*

Natália disse...

Ela é tão binita *-*

Anaa Bia ;) disse...

Que linda essa história !

Ah, eu não tenho uma relação muito próxima com a minha avó, porque ela mora em Santa Catarina (e nasceu lá também)faz muito tempo. O meu avô, marido dela, morreu quando eu tinha 8 anos. A minha outra avó, mãe da minha mãe, morreu 7 anos antes de eu nascer. O meu avô, marido dela, morreu quando eu tinha 5 anos. Mesmo assim, essa foi a minha melhor relação com um avô, mesmo eu tendo passado pouquíssimo tempo com ele, ele foi muito importante na minha vida.

E acho que você tem muita sorte de ter essa presença dela na sua vida ! É o tipo de coisa que a gente nunca esquece, nunca mesmo.

Beijo ;*

Elide Elen disse...

Nossa, que lindo.
Poucas vezes vi um texto tão cheio de emoções escritas de uma forma tão simples.
Beijos pra vc e pra sua avó, rsrsrs!

Alexandra Dias disse...

Ai Jerri, que coisa mais querida! Sempre delicado, sensível, grato. Tu é um lindo mesmo!
Agora, senta e lê esse texto pra ela, a vó vai adorar com certeza.
:)
te amo

Sahh disse...

Jerri querido,
que texto lindo.

Foi um tanto tocante para mim,
pois a minha vó e a minha mãe também não se relacionam muito bem.
E eu entendo como é ser neta no meio desse impasse.

Lendo a última parte, lembrei de uma frase (uma frase clichê, mas tá valendo) que diz:
"as pessoas vão esquecer o que você disse, elas vão esquecer o que você fez, mas jamais esquecerão o que você as fez sentir."
É impressionante como as marcas que ficam, geralmente, são as mais sutis.

ps.: sobre o meu último post.. falo com a maior alegria do mundo que ele ficou. =)
Não que ele saiba da existência do meu post ou do meu blog, mas ele ficou.. e estamos juntos depois de um ano de idas e vindas.
Eu acho que consegui meu final feliz.. hehe

tudo de bom pra ti, que você continue sendo o escritor brilhante que és.
abraços.

Juliana disse...

minha bisavó tem 92 anos, e nós optamos por contratar uma enfermeira para cuidar dela em casa, todo mundo ajuda a pagar, eu cresci na casa de minha avó, faço tudo por eles, meus avos são minha paixao!!!

Mah (Mayra Lobão) disse...

Ela é LINDA!!
Olha só, fizemos mais um post da série "Essa imagem faria você perder aquela garota"... Dá uma olhadinha lá ;D

Cláudia Ramalho disse...

OI, Jerry, vim retribuir a visitinha e me deparo com esse lindo texto sobre sua avó.

Parabéns para ela. E para vc, por ter tido a oportunidade de crescer com uma avó por perto.

Patrícia Pirota disse...

Jerri!

Nossa... Eu arrepiei até a alma com seu texto. ‘Tá louco...
Me deu uma saudade do diabo da minha vó, que é também analfabeta...
Mas, como disse o Quintana, na citação que você gostou, “os verdadeiros analfabetos são aqueles que aprenderam a ler e não lêem”...

Sua vó pode não saber ler as letras, mas sabe muito bem ler a vida. E, no final, é isso que mais importa.

O post ficou muito bacana mesmo...

Agora sobre sue comentário lá no cafofo...

Que bom ter sua presença no blog de novo o/

Eu gostei dessa sua descoberta “visual” no seu blog. São bacanas os vídeos que você mostra.

Eu não consigo “acordar” com música calma. Preciso de pauleiras pro meu cérebro pegar no tranco, sabe.

Eu não me contive e rachei de rir quando você falou sobre a relação da sua esposa com o Tetris! Cuidado, vai que ela resolve te virar de cabeça pra baixo =)

Pois é. O Arrumadíssimo é site de mulherzinha. =) Mas como a maioria dos meus leitores é composta de mulheres, já viu né...

Eu vi a propaganda do governo. Não sei se é impressão minha, mas aqueles atores/professores parecem todos retardados...
E eu não tive aulas de “pedagogia, magistério, controle de massas, artes marciais, luta com armas brancas e o que mais fosse preciso pra se dar aula nos dias de hoje...”, mas queria ter tido! Porque, dar aula hoje é dia é coisa pra doido viu.

Menino! Concordo plenamente com sua observação sobre o Dostoievski! Afinal de contas, o próprio Freud disse várias vezes que se inspirou nas personagens do Dostoievski pra elaborar suas teorias. Sem contar um livro inteiro que ele fez sobre o russo...

Philip Glass é lindo mesmo! Eu sempre me emociono muito quando escuto, por isso evito escutar quando tenho que fazer algum trabalho “criativo”, sabe. Prefiro escutar Beethoven ou Power Metal, que dá um gás pra cachola.

Acho que é isso. Acho que meu comentário ficou tão grande quanto meu post. Mas...

E obrigada pela visita, mais uma vez.

Beijo pra você.

Bella disse...

Oie Jerri,
Fiquei mt feliz que vc tenha comentado em meu blog,adorei mesmo!^^
É realmente a violencia no pais não ajuda...
E realmente é muito bom ter a avó por perto.Parabéns por ela.
Minha avó pra mim sempre foi como uma segunda mãe.
Bjus e volte sempre!

Gi disse...

Deu saudades da minha avó agora... =/ É, só isso...

Luh disse...

Nossa Jerri...
Quecoisa mais linda!
To chorando mto aki!A minha avo por parte de mae morreu. qdo eu tinha 5 anos.Mas as lembrancas que eu guardo dela,eh o suficiente pra dizer que eu a amo mtooooooo!Ja minha outra avo eh um doce,mas nao sou tao chegada a ela.
Eu so qria dizer pra todas as pessoas q tem avos falecidos,que sempre,sempre tente guardar uma imagem dele.E aos presentes,que aproveittem o maximo!
Bjo me liga pra me ouvir chorando;(
Luh do coisas-teen.blogspot.com

cv disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
cv disse...

Jerri, não achei que você era tão sentimental em relação a sua família, esse post me fez enchergar você de outra forma. Minha avó também não sabe ler, mas criou 4 filhos e meu avô morreu cedo, foi triste ver ele morrendo aos poucos, na época eu era nova demais para saber isso, mas hoje eu choro por ele quase todos os dias. Meu avô, mesmo doente, sempre cuidou de mim, parece que tinha mais afeição comigo do qualquer outra pessoa, eu era a única que parecia tanto com ele, quando ficava no seu colo, nossas peles pálidas pareciam uma só.
Os dois construíram sua casa (minha avó fugiu do meu bisavô,ha!)tijolo por tijolo e nunca deixaram seus filhos faltarem um dia na escola. Meu pai não fala muito com ela, mas eu me dou bem, apesar da gente se tratar como 2 crianças, rs.

Minha outra avó não conheci a história dela, na minha infância gostava dela mais que tudo, mas vejo as duas com os mesmos olhos, antigamente ela era calma, sempre sorrindo. Agora a depressão acaba com ela aos poucos, as vezes me pego chorando sem motivo, acho que peguei isso dela. O marido dela morreu por causa das bebidas, quase não tive contato, mas sempre que posso oro por ele.

Esse post me fez chorar, hahaha, eu faço sempre um drama queen.
Jerri, sua avó é muito fofa e você me surpreende a cada post!

beijos ;*