domingo, 31 de outubro de 2010

SEM FILHOS – 40 RAZÕES PARA VOCÊ NÃO TER - Crítica

Se você tiver muita sorte, seu filho só vai te explorar por 25 anos.

A autora

Corinne Maier é psicanalista e economista e seus livros são inspirados por Jacques Lacan, Roland Barthes e Michel Foucault. Foi apelidada de “heroína da contracultura” pelo New York Times depois do sucesso mundial da sua obra, BOM DIA, PREGUIÇA.

Odiada pelo sindicato de mães...

O livro

Bem, antes de mais nada, é bom saber, que apesar da piada acima, o assunto é muito sério, mas Maier consegue tratá-lo com um bom humor sarcástico e claro, não deixa também de ser um certo desabafo por ela mesma ser mãe de dois rebentos, que segundo ela, “Eles não se importaram e nem sequer leram. Eles leem coisas mais apropriadas para a idade deles.”

Numa atitude corajosa, Maier desafia o conceito cristão e milenar de que ser mãe é a melhor coisa do mundo, é “padecer no paraíso”. Longe disso, em capítulos curtos, diretos e debochados, ela demonstra com lucidez as 40 razões pelas quais as pessoas deveriam pensar não uma, duas, mas várias vezes antes de ter essa “espécie de anão cheio de vícios e com uma crueldade inata” em suas casas. Frase cunhada pelo escritor Michel Houellebecq e que dá título ao capítulo 12. Como se vê, esse livro está longe de ser simpático às criancinhas mimosas.

Ah, eles não são uns amores quando destroem a casa?...

Eu não tenho filhos, gosto de crianças e já ouvi muitas vezes que daria um bom pai, mas não tenho como saber, pois nunca tive que conviver com um criança 24/7 por anos à fio. Sempre peguei a parte mais fácil de simplesmente brincar, dar presentes e muito raramente, uma conversa mais séria.

Mas não preciso ser pai para saber que a maioria dos adultos não sabe educar ou criar bem uma criança. Quer uma prova? O mundo e as pessoas do jeito que são. Você sinceramente acha que o mundo seria essa falta de educação, desrespeito, corrupção e violência (em qualquer nível) se as pessoas tivessem sido bem educadas e respeitadas para se tornarem adultos bacanas?

Como a maioria das pessoas adultas que conheço são confusas, estressadas, ignorantes, inseguras e perdidas em maior ou menor grau, vou ter que deduzir que isso tem alguma coisa a ver com o ambiente familiar e isso me diz que os pais deles não eram muito melhores do que isso e que os filhos destas pessoas adultas que conheço vão mais ou menos perpetuar isso. Engraçado que todo pai e mãe no mundo acha que seu filho é o mais lindo, o mais inteligente, o mais, mais em tudo.
Então dá pra se perguntar: de onde vem tanta gente feia, fracassada e ignorante? Bom, eles não se criaram sozinhos, não é?! E como semente ruim gera semente ruim, o ciclo se perpetua até que ocorra uma mutação genética, ou no caso humano, alguém da família perceba esse círculo vicioso e destruidor e resolva mudá-lo de alguma forma. Mas não tenha muitas esperanças de que o seu filho ou sua família é a que vai dar certo: lembre-se que bilhões já tentaram e quase ninguém foi bem sucedido. Conheço famílias muito bacanas que conseguem manter um relacionamento razoavelmente saudável e alegre na maior parte do tempo, mas que quando se conhece melhor, tem sempre algo mal resolvido.

Odediência garantida! Trauma também.

O leitor vai perceber logo no início do livro, que ele é voltado para uma realidade de Primeiro Mundo, mais especificamente, a francesa, onde o governo premia em dinheiro casais com mais de 1 filho na tentativa de aumentar a população numa tentativa patriótica e estúpida de manter sua língua e a cultura viva, como se ela corresse um risco real de morrer a curto prazo.

De acordo com a autora, com o aquecimento global e a desaceleração econômica que pode ocorrer com isso ou pelo fato dos governos finalmente resolverem diminuir a exploração dos recursos naturais, a grande maioria de nossos filhos e netos estarão fadados ao desemprego crônico e a um mundo muitas vezes mais poluído e perigoso do que o de hoje. Ou seja, cada criança posta no mundo é mais uma pisada no acelerador rumo ao desastre ecológico. Basta pensar por alguns segundos na quantidade de lixo, e energia e água que cada um de nós produz e gasta diariamente.

É, eles não vão herdar um mundo melhor do que o nosso, não.

Continuando, a autora coloca em pauta assuntos como:

1) A ingenuidade a ignorância de meninas e mulheres que querem ter filhos por puro impulso biológico, salvar um relacionamento ou pelo mais egoísta dos motivos: não querer ficar sozinha. A única coisa real aqui é o instinto de ter filhos, mas sempre é bom lembrar que esse impulso é algo para o qual você vai ter que dar o resto da sua vida e sem retorno algum garantido. Filho é apenas filho e mais nada.

2) A conformidade da criança e do adolescente na sociedade e em sempre querer ser uma “outra pessoa” ou “crescer” para daí então ser “popular” ou “aceita”. Neurótica, a criança “cresce” para ser um adulto neurótico que dificilmente será realmente popular ou aceito fora de seu círculo familiar e de amigos.

Olha que cut-cut que era o Adolf Hitler!
Com pais de merda, criança cresce para ser adulto mais merda ainda.

3) O filho acaba com seus sonhos de juventude. Muitos pais desistem de um sonho para se sacrificar pelos filhos que nada pediram e que no futuro vão ter que ouvir acusações dos pais hipócritas que não tiveram coragem de seguir seus sonhos. A sociedade criou essa mentira deslavada de que os filhos são a continuação dos pais, o que faz com que os pais achem que os filhos devem realizar seus sonhos frustrados, que no meu caso particular, era ser jogador famoso de futebol e dar a volta ao mundo. Então, se você tem um sonho, corra atrás com filho ou sem, mas nunca jogue nele a responsabilidade pela sua falta de coragem ou talento.

4) Crianças de Primeiro Mundo são parasitas do mundo e consomem e poluem 10 vezes mais que uma criança de classe média baixa de um país como o Brasil. O problema nem é o excesso populacional no mundo, mas o excesso populacional nos países ricos.

Bem, isso é 10% do que o livro trata, existem outros assuntos mais polêmicos, engraçados e patéticos do que esse que mencionei aqui para dar um gostinho. O parto é uma tortura; não se tem vontade de fazer sexo tendo em volta o alvoroço de pirralhos brigando; crianças custam caro; as famílias são um horror; ser mãe ou ter sucesso: é preciso escolher; quando o filho aparece, o pai desaparece; são alguns deles.

Bem, apesar de tratar de uma realidade francesa, ela é basicamente igual a boa parte da realidade das classe A, B e C do Brasil e para quem pertence a essas classes, SEM FILHOS deveria ser leitura obrigatória. Já para a maior parte das mães e pais das classes D e E, eles ainda vão continuar criando seus filhos no estilo de seus pais: com muita porrada e colocando para trabalhar assim que conseguem andar. E seus filhos farão o mesmo com seus netos, como sempre foi.

Esse livro, longe de ser um livro para solteiros ou casais sem filhos, deveria ser lido pela família toda, em especial por adolescentes, que a partir dele, finalmente teriam uma visão realista e honesta do que suas vindas causaram e causam aos seus pais. E também do que os seus pais estão fazendo com eles. Tendo uma relação boa, razoável ou péssima com eles, o livro até poderia ajudar eles de alguma forma a cortar esse círculo vicioso de pais e filhos rancorosos uns com os outros, não importando a idade da pessoa, pois conheço pessoalmente tanto pré-adolescentes quanto adultos de mais de 60 anos que ainda tem problemas afetivos com os pais e vice-versa.

E pra não dizer que sou parcial, deixo abaixo um link da revista PAIS & FILHOS onde uma jornalista dá 40 razões para ter filhos. Achei quase todas sentimentalóides, burras e irracionais e me deu uma vontade louca de comentar uma por uma só para desmontar os argumentos dela. Mas claro, a mulher sempre pode apelar para o “amor de mãe”. O que na verdade, não passa de puro instinto protetor que em nossa espécie acabou se prolongando por tempo demais graças a pressão da sociedade cristã.

40 razões para ter filhos


Capa do livro.
A criança é uma raposa disfarçada?

Trecho

Capítulo 12 – “A criança é uma epécie de anão cheio de vícios e com uma crueldade inata” – Michel Houellebecq

Jean-Jacques Rousseau moldou a visão que temos da criança. Esse autor, que, no entanto, se livrou dos próprios filhos, entregando-os para adoção, celebrou com sensibilidade a aliança entre a criança e o selvagem. Tanto um quanto o outro viviam em comunhão imediata com as coisas, na apreensão da verdade, numa pureza que a civilização não teria afetado. (...)

(...) Muito meninos e meninas entrevistados na televisão confessam ter desejo de ficar grandes e fortes para se vingar de professores e professoras, bater nos colegas e até mesmo matar figuras de autoridade, pais e dirigentes da escola. (...)

(...) Lembre-se de sua infância. Colegas que debochava de você, roubavam sua merenda e bolinhas de gude, falavam mal de suas roupas, deixavam claro que você não tinha “estilo”. Uma criança só pensa em roubar o brinquedo de outra, humilhá-la em público, bater. (...) Leram o SENHOR DAS MOSCAS? O edificante livro conta a história de crianças que chegam a uma ilha deserta e acabam matando umas às outras. Isso acontece no mundo real, com freqüência cada vez maior, e às vezes perto de sua casa. Em fins de dezembro de 2006, um aluno de 12 anos foi morto na cidade de Meaux, a pontapés, por dois colegas de 11 anos. Alguns meses antes, uma espanhola de 13 anos foi espancada por três meninas da mesma sala de aula, a ponto de ter a perna direita fraturada em vários lugares. Senhor, perdoai essa infância.

A criança é um lobo para a criança. (...)

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Usado


Boa leitura.

6 comentários:

writer. disse...

Oi! Estou divulgando meu blog onde publico os textos que escrevo. Pode parecer idiota estar fazendo propaganda, mas tomei a decisão de publicá-los e gostaria que as pessoas tivessem a oportunidade de ler os mesmos. Conto com a sua visita! http://heismycocaine.blogspot.com/
Beijos.

Ps: Adoro seu blog Jerri! haha

Os intrigantes pensamentos da Lud disse...

Oi Jerri! Bom, adorei a dica do livro. Tudo bem, eu sou bem sentimentalista e, em primeiro momento, pensei que iria odiar, mas não. Acabei gostando da maneira com que o assunto foi tratado. Na realidade, sou totalmente contra a ideia de se ter um filho, somente para acabar com a solidão [é completamente egoísta, e a pessoa acabará transmitindo o mesmo sentimento para a criança], e, ainda mais, contra TOTALMENTE à ideia de permitir com que os pirralhinhos façam tudo que tem vontade. Eles não serão adultos responsáveis, nem passíveis de negociação, quem dirá maduros, e muito menos independentes. Fui criada numa educação clássica, onde devo respeito, sem ter medo, dos meus pais, e sou assim. Tanto que, apesar de fazer Direito, trabalho na área da educação, e sei que posso falar sem culpa do assunto. Atendo pais desesperados que não sabem como lidar com seus filhos, pelo simples fato de não impor limites. E, como consequência, acabam colocando sobre eles a frustração da juventude. Amo crianças, e acredito no bordão de que 'elas são nosso futuro', mas, sinceramente, se é pra se ter filhos e não educá-los com medo de magoá-los, ou com a infeliz desculpa de 'eles farão tudo o que meus pais não me permitiram' é melhor, realmente, não tê-los [e privar o mundo destes pestinhas, claro].

*Jerri, ameei vc ter ido visitar meu blog! Pensa que sou sua fã há anos [não, não estou te chamando de velho.. haha]? Bom, nem sei se vc ainda se lembra do que me disse lá [ludpensamentos.blogspot.com], mas meu texto dizia respeito à saudade que me dá em relação a tudo, desde a infância até um amor que não deu certo. Hoje, entendo que tudo que vivi foi com intensidade e, se sinto saudade, não é por pensar que poderia ter feito diferente, ou que a experiência poderia ter sido mais profunda. Não. Percebo que, se há saudade em mim, é porque o tempo foi ótimo, e deixou marcas de felicidade, que sei que não voltarão da mesma forma, mas que se revelarão em novas sensações. VOLTE SEMPRE, tá boom?
Um abraço mineiro beeem apertado! (:

denunciaanonima disse...

Adoreei esse post, bem interessante e visto pelo lado prático da coisa.

Sabine. disse...

Amo seus blog's Jerri. De verdade, você é fod*! Te idolatro, beijos da sua maior fã na história! (:

bel, e um plano B disse...

Oi, Jerri
Sinceramente, o mundo não é melhora se as pessoas decidem não ter filhor. O mundo é melhorado quando as mães não tentam fugir de sua realidade. Pois, ao que me parece, essa é nada mais que uma mãe bem desiludida. Uma mãe que acha que está fazendo algum bem social escrevendo tal livro. Mas tudo o que ela faz é se enganar.
Desejo tudo de bom para seus filhos, já que, ao que parece, com uma mãe dessas, estão fadados a grandes traumas.
Atenciosamente,
Bel

Mirela disse...

Olá Jerry, tudo bem? Pois é, se vc entrar no meu blog que criei há pouquissimos dias poderá contemplar exatamente o oposto, a não ser pelo fato de quer ser mãe é isso mesmo: PADECER NO PARAÍSO! Parece que trocamos pensamentos!!!E como eu digo no meu blog, os sofrimentos, as dificuldades, crises são inevitáveis, mas para mim foram extremamente positivas pois me fizeram crescer e me tornar a pessoa que eu sou hoje. Pela minha experiencia, que é individual, vale muuuito a pena ter filhos! É vida! O que o ser humano buscar fora disso, é temporário...é finito!
Um abç, Mirela