sábado, 4 de abril de 2009

WATCHMEN – O FILME (Watchmen, 2009) - Crítica


SINOPSE

O que aconteceria se pessoas “comuns” decidissem colocar a cueca por cima da calça e sair por aí combatendo o crime?
Como isso afetaria a sociedade? Eles seriam vistos como loucos? Heróis? Exibicionistas? Esquizofrênicos?
E o que aconteceria se em dado momento surgisse um super-herói de verdade, alguém com poderes tão incompreensíveis quanto vastos?
E o que aconteceria se alguém começasse a matar os heróis mascarados?

OS QUADRINHOS


Publicada em 12 edições entre 1986-87, a mini-série escrita pelo genial Alan Moore e ilustrada pelo detalhista Dave Gibbons, é o único gibi listado pela revista TIME em 2005 como uma das 100 melhores obras literárias americanas escritas a partir de 1927.

Em uma narrativa épica com dezenas de personagens, Moore e Gibbons recriam a América de 1985 com uma pequena diferença: Heróis e super-heróis existem! E eles fazem a diferença. Para o Bem e para o Mal. Ou além desses conceitos demasiadamente humanos.

Nesta obra suprema de Alan Moore, ele dá sua palavra final em super-heróis hiper-realistas envolvidos na história moderna da América, dos anos 40 aos anos 80. Da ingenuidade idealista ao maquiavelismo político, os super-heróis de Moore são representações do homem comum: ingênuos, simpáticos, marqueteiros, cínicos, psicopatas. Com exceção de um deles: o único e verdadeiro ser com super-poderes entre todos, Dr Manhattan. Mais deus do que homem, Moore o usa para falar de física quântica, política, humanidade e claro, Deus.

Depois de WATCHMEN e O CAVALEIRO DAS TREVAS, publicado no mesmo ano, os quadrinhos americanos nunca mais seriam os mesmos. E nem os filmes de super-heróis.

O FILME

A primeira safra de super-heróis na foto de grupo. Tem heróis para todos os gostos: a gostosa que quer ser famosa, o ingênuo que acredita no Bem, o que quer Justiça pelas próprias mãos, a lésbica moderna e até um estuprador assassino...

Depois de 20 anos de tentativas frustradas de adaptar a obra que muitos consideravam impossível filmar, a tecnologia moderna unida à ganância dos executivos de Hollywood produziram o filme. Para o Bem e para o Mal.

Ao diretor Zack Snider (vindo dos bons e divertidos MADRUGADA DOS MORTOS e 300), junto com os roteiristas, coube o fardo de transpor as 600 páginas de uma obra com dezenas de personagens e cobrindo 5 décadas da história americana em um filme de 162 minutos. Talvez com o dobro desse tempo ele tivesse sido bem sucedido. Mas eu tenho minhas dúvidas.

Como Snyder, um fã da obra de Moore e Gibbons, disse: “Se eu não fizesse, o estúdio daria o filme para outro diretor.” E Snyder tinha muito medo do que outro diretor pudesse fazer com tal material e ele queria manter ao máximo a integridade do texto de Moore. Integridade que acaba sendo um tiro no próprio pé, quando nem o diretor e nem os roteiristas conseguem perceber que repetir diálogos literários de desenhos bidimensionais em um filme com atores reais nem sempre funcionam como deveriam. Em muitos momentos do filme, o som do silêncio diria muito mais.

A última safra de super-heróis. A variedade continua: tem o herói, o mais inteligente de todos, a filha da gostosa que queria ser famosa, o psicopata, o estuprador assassino continua ali, mas agora todos tem deus ao seu lado...

Mas vindo de dois filmes onde zumbis gritavam e espartanos gritavam mais ainda, Snyder parece ainda não ter percebido o valor das coisas não-ditas.

Em WATCHMEN tudo é falado e descrito ao extremo, e as poucas pausas tem que ser preenchidas com imagens e efeitos especiais bombásticos.

E apesar do roteiro ter simplificado e cortado praticamente 2/3 dos personagens, o volume de informações para quem não leu a obra é avassalador, se o espectador realmente tentar prestar atenção em todos os detalhes.

Dr. Manhattan está mais para o Deus do Velho Testamento do que para o Deus do Novo...

A edição é outro ponto delicado na obra, pois todas as seqüências são praticamente emboladas umas por cima das outras, dando uma impressão de urgência na sala de edição para finalizar o filme no tempo exigido pelos produtores, ficando muita coisa mal resolvida e explicada. Tanto que Snyder promete para breve uma versão com 3h30min.

Claro que o filme de Snyder tem muitas qualidades, mas o número de erros é tão grande que o ritmo do filme parece um coração parado que bate uma vez a cada 5 minutos. Eu geralmente adoro filmes com 3 horas de duração, mas confesso que fiquei entediado já na metade do filme e em certos momentos me sentia eu mesmo um “watchmen”, de tanto que olhava para meu relógio contando os minutos para o filme acabar.

Mas como fã da obra, tenho que dar um certo mérito à Snyder por ter lutado bravamente por uma censura 18 anos para um filme onde conceitos morais e filosóficos tentam ser abordados muito além de produções desse tipo. Várias das idéias de Moore estão no filme, embora eclipsadas pela urgência de contar a história, e com alguma sorte, alguns espectadores podem se sentir compelidos a saber sobre que diabos o filme está falando e se debruçarem tanto sobre o gibi quanto sobre outros livros.

Espectral é interpretada pela atriz Malin Akerman, que é igual a maioria das atrizes jovens da Globo, bonitinha mas ordinária...

E assim como o filme tem altos e baixos na sua narrativa, o mesmo acontece com os atores. Snyder é um homem de ação, pós-Hamlet, e ele está muito mais interessado nas ações físicas (falar, brigar, transar) do que na qualidade e na verdade de seus atores e o que acontece é ter interpretações risíveis como as de Malin Akerman (Espectral), abaixo da expectativa como as de Patrick Wilson (Coruja) e Billy Crudup (Dr. Mahattan), neutras como a de Matthew Goode (Ozymandias), boas como a de Jeffrey Dean Morgan (Comediante) e surpreendentes como a de Jackie Earle Haley (Rorschach). Com atores com tão pouca sintonia entre si fica complicado criar qualquer tipo de jogo verdadeiramente interessante entre eles. E com isso escoa pelo ralo do esgoto a capacidade do espectador de sentir empatia pelos personagens, com exceção de Rorschach.

Mas além dos problemas de ritmo, edição e elenco desajustado, o filme comete outro pecado absurdo para um filme com tão boas intenções: as canções da trilha sonora são extremamente pontuadas e quase sempre soam invasivas ao extremo, dando uma sensação de que alguém pensou: “o filme está uma porcaria, mas pelo menos vamos vender essa trilha sonora!” As músicas, quando escutadas fora do filme, são realmente boas, mas no filme, a maioria delas simplesmente incomoda.

E se você ainda não viu o filme, preste atenção nas duas melhores sequências do filme: a abertura, onde vê-se o surgimento, apogeu e queda dos super-heróis integrados a vários acontecimentos e celebridades da história da América ao som de “The Times They Are A-Changing” de Bob Dylan e Rorschach na prisão, a única seqüência realmente emocionante de todo o filme.

Jackie Earle Haley arrasa com a audiência e com os criminosos como Rorschach. Na prisão, ele lembra Clint Eastwood sob o efeito de anfetaminas...

E também nas duas piores: O Coruja e Espectral transando ao som de “Hallelluja” de Leonard Cohen e a origem do Dr. Manhattan, que mais do que o próprio personagem, não possui emoção alguma além da transcendental música de Philip Glass.

De qualquer forma, se você é um fã de quadrinhos e já leu ou pretende ler WATCHMEN, esse é um filme que você deve ver pelo dever de assistir uma obra cujos conceitos já inspiraram filmes como o próprio BATMAN, X-MEN, OS INCRÍVEIS, SUPERMAN-O RETORNO e HANCOCK. Uma pena que com tantos filmes apropriando-se de idéias e conceitos de WATCHMEN, o próprio acabe esvaziado de metade da originalidade que lhe é devida.

E como era esperado num filme proibido para menores de 18 anos, onde super-heróis transitam entre política, sexo, violência extrema e conceitos morais duvidosos, a produção de 150 milhões de dólares arrecadou, em 30 dias de exibição pelo mundo todo, apenas 172 milhões. Em Hollywood, um filme só é considerado lucrativo se dobrar na bilheteria o custo de sua produção. Para se ter uma idéia, BATMAN – O CAVALEIRO DA TREVAS custou mais ou menos o mesmo que WATCHMEN e estava pago em apenas 4 dias.

Se o Capitão América fosse real, ele seria o Comediante. Se o governo manda proteger, ele protege. Se manda matar, ele mata...

Infelizmente, descontando a acertada e bem pensada razão para explicar o final apocalíptico, Snyder preocupou-se tanto em ser fiel aos quadrinhos que esqueceu de fazer um filme de verdade, ao contrário de BATMAN – O CAVALEIRO DAS TREVAS, onde os roteiristas e o diretor entenderam que para ser fiel ao personagem e sua história, você não precisa ser fiel aos quadrinhos.

WATCHMEN – TRAILER




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ERA UMA VEZ NA AMÉRICA – ENNIO MORRICONE

A maravilhosa trilha da obra-prima de Sergio Leone está atualmente sendo executada neste blog.
O filme que fala dos sonhos de uma juventude ingênua que se transformam em vidas violentas e amarguradas é o retrato de uma América horrível e melancólica ao extremo. Simplesmente o melhor filme que já vi na minha vida.

NO SITE DA CAPRICHO

Robert Pattison está fedendo lá no blog.

E as razões que os meninos usam para dar um tempo na coluna exclusiva do site.

19 comentários:

• Pαolα disse...

AHIUIIAS muito bom! eu vi esse filme. ridícula a 'roupa' do dr. manhatann!
legal os trocadilhos do Rorschach e realmente, tocar 'Hallelluja' na cena da transa, AHAHAHHAHA foi demais. =)

Sofih disse...

Poxa vida, eu não posso ver esse filme... A maldita sensura. Até parece que não tenho maturidade pra ver uma coisa dessas! =/

Beijoos

Sofih disse...

ps: mas a maltita sensura é nescessária. aposto que teria gente não com idade, mas com a mente pequena que ia sair fazendo besteira depois de assistir um filme!

Caroline Barreto disse...

Jerri, eu fui na gravaçao do Tv Xuxa, adivinha a banda que foi tocar ? Sim, J Quest ! HAHAHA, nao teve como não lembrar de voce, foi engraçado ! rs...
beijos

Lina :) disse...

Não sei nem o que eu escrevo primeiro. Bom.
Vamos lá.
Realmente. É uma pena que com tantos filmes que seguem a mesma linha desse gênero de filme, o filme possa perder o devido valor.

Sobre o livro do Stephen Hawking, Jerri, eu recomendo. Na primeira vez que tentei ler, há 4 anos atrás, não entendi nada. Mas agora que terminei o ensino médio e tive a oportunidade de ver física quântica e relatividade na escola e com meu pai, consegui absorver o livro todo.
Ele fala da teoria do espaço-tempo de autoria do próprio Hawking e outro físico (Penrose). Fala sobre a constante expansão do Universo, da física moderna impulsionada pela relatividade e de astronomia.
Eu gostei muito porque apesar de científico, acabamos criando reflexões durante a leitura um tanto quanto filosóficas sobre que diabos estamos fazendo aqui.

Espero que você o leia, porque é ótimo mesmo.

Por fim, concordo com você sobre o fedor do Robert no site.

Beijos :*
Boa semana.

vicki, nati e juju disse...

Obrigada pela visita Jerri, eh uma honra, eu sou muito fã do seu blog na Capricho.
Vou considerar seu comentario como algo contrutivo!Eu e minhas amigas vamos nos empenhar para atualizar o blog, pra não ser engolido pelas traças...
bjs Ju

Profana! disse...

Olá Jerri, visitei seu blog na Capricho, mas ainda prefiro seu blog pessoal, estás sumido hem! Abraços!

Mari disse...

Adooooro muito a sua coluna na Capricho ;D
To querendo ver o filme, mas vou esperar pra baixar da internet :P

Beeijos

Bell Bastos disse...

Eu pretendo ver esse filme, mas quero ler todos os volumes da HQ primeiro.

Todas as críticas que eu li até agora sempre falam que os atores estão na maioria muito ruins nos papéis e que memso com tooodo o investimento o filme não saiu essa Coca-Cola toda... Mas quero ver pra tirar minhas próprias conclusões.

Quanto ao negócio de ficar olhando desesperada pro relógio esperando o filme acabar, tive isso essa semana agora, com o The Spirit (pqp queeee filme ruuuim), detestei tuudo no filme (tirando as imagens que são lindas -as imaagens, somente as imaaagens uahaua-).

Deus que me livre de ir no site da Capricho pra ver o Robert Pattinson fedendo por lá. uahauahua Aliás, não sei se você ainda se lembra (provavelmente não0, mas uma das minhas maiores diversões é avacalhar com o Robert Pattinson, e tenho dito. o/

É algo bem próximo a você com o Jota Quest... auhauahua

Beijos,
Bell.

Bruna Bianconi disse...

Estou louca pra ver esse filme, no dia que fui ao cinema ele ja estava em cartaz, mas não naquele horário :/
ótima semana!

vicki, nati e juju disse...

Oi de novo Jerri!
Dá uma olhadinha la no blog, ele ta se recuperando hahaha...
+2 postagens; interessantes...eu acho.


Adorei seu post la na capricho, e esse do wacthman tbm.
bjs

Tataahzinha disse...

Oiiii! Meu blog mudou!
Agora é esse aqui: www.peripeciasdatatah.blogspot.com

Obrigada a todos que NUNCA me abandonaram e estiveram do meu lado mesmo depois do meu afastamento!
Quem me acompanhava, peço que acompanhem no outro e saiam do antigo tá?

e agora.. VAMO QUE VAMOOO que eu to de volta!
beeeijo


QUERIA TER VISTO ESSA PORRA, MAS NAO DEU PQE MEU IRMAO EÉ DE MENOR E EU FUI COM ELE. BLÉ.

Mylla disse...

eu vi esse filme no fim de semana que estreiou! não achei essas coisas toda, esperava coisa melhor!
Tenho um amigo que passou uma semana me enchendo o saco pra ver esse filme e até ele se decepcionou ><

jerri vc ainda naum visitou meu blog ><
e ainda vc esta me devendo a entrevista com vc mesmo!
bj

Dreisse disse...

Parabéns pelo seu trabalho guri! Acompanho-o na capricho. e é a 1ª vez que vem em seu blog pessoal. parabéns pelos textos..e pelo trabalho.
Beijos&abraços

Letícia Perr disse...

Oi jerri
como vc consegui escrever tanta coisa interresante ?
não passei do quinto post
rsrsrsr
sobre a duvida no meu post
eu jurava que a palavra entropar existia
valeu pela dica

kla disse...

omg quem leu td isssoooooo credoo
xaubjs vcs ja pintaram a unha de pretooo???////????????????

douglas disse...

filme é mto loko..

principalmente qdo o rorscharch ta em cena, o melhor d todos, sedento por sangue..
coitado dos cara q ele pega..
pena q para um personagem tao bom um final tao ruim..

odiei akele adrian veidt e o dr. manhattan..

eles se acham deuses akelas porra...

mas o filme é 10..

flw

Anônimo disse...

Olha eu costumo respeitar a opinião das pessoas,mas vc perdeu a razão qndo chegou na comunidade do filme com um tópico que dizia ''Minha humilde crítica" ,vc escreve pra Capricho?Então vc gostaria que eu chegasse na comunidade e simplesmente dissesse que odeio a revista e que fico entediado com as matérias idiotas e inúteis que ela publica?

E à propósito,vc foi muito imbecil criticando alguns heróis,A filha que queria ser famosa,aposto que vc também não gostaria que eu chegasse e dissesse "Esse cara tem um pai famoso e quer fazer sucesso Às custas do pai" ,eu sei que o meu modo de defender a obra é meio esdrúxulo mas dá pra entender o que eu quero dizer,e isso é o que importa.
Tem outra,uma passagem do texto que me fez chorar de rir:
''onde os roteiristas e o diretor entenderam que para ser fiel ao personagem e sua história, você não precisa ser fiel aos quadrinhos.''
É claro claro,temos um personagem com conflitos psicológicos num mundo negro e sem vida,fazemos o filme com um personagem com conflitos psicológicos num mundo de coelhos fofos e doces que caem do arco-íris.Sinto muito,mas o personagem fica TOTALMENTE descaracterizado se o contesto em que ele vive não é bem expressado...


concluindo,minha crítica massiva à sua critíca massiva pode ser resumida a seguinte frase:
Não fale coisas sem pensar,pois você pode ser julgado com um punhado de merda de cavalo caso o fizer...

Dener disse...

colunista da capricho !?!?
kkkk