sexta-feira, 7 de janeiro de 2011

SOBRE AS DROGAS - Ensaio

Dizer não porque, cara-pálida?
Só porque não?!
Típico poster de campanha vagabunda estilo lavagem cerebral.
Não explica nada, só proíbe!

Costuma-se dizer que tudo que é proibido é mais gostoso.
Há milhares de anos as drogas (álcool e tabaco incluídos) são usadas e hoje em dia, sociedades indígenas primitivas ainda as utilizam para entrar em contato com espíritos da Natureza, ancestrais, deuses ou simplesmente abrir portas nas mentes dos homens.

A nossa sociedade dita civilizada, em algum momento entre os séculos XIX e XX, determinou que isso era coisa de bárbaros, gente pobre e inculta (leia-se pessoas não brancas). Mas não deixaram de notar que seria impossível manter as pessoas afastadas de todas as drogas e por isso permitiram que o álcool e o tabaco (drogas que as classes dominantes sempre apreciaram) fossem liberados para satisfazer e controlar o desejo da população por drogas.

Mas não foi uma medida completamente eficaz, já que nas sociedades tribais (de onde todos viemos) drogas geralmente eram utilizadas e controladas somente pelos mais velho e sábios, que a distribuíam para seu povo em rituais e festividades, ou seja, o povo também precisava ter acesso à drogas mais poderosas do que o álcool e a nicotina.


Sociedade hipócrita que quer proibir drogas e fuma e bebe na frente de crianças e adolescentes.


E o que era usado antigamente um costume social controlado, passou a ser proibido e traficado sem controle ou conhecimento algum, quase sempre recorrendo-se à corrupção ou a violência.

Em geral são os adolescentes e jovens adultos, com a cabeça cheia de meias-verdades e meias-mentiras sobre as drogas, é que acabam descobrindo que seus pais mentem quando dizem que a droga é uma coisa horrível e ruim. O raciocínio que os jovens acabam aplicando as drogas pode até ser o mesmo que ao sexo. Quando os pais dizem que eles não devem fazer sexo, tomar cuidado ou em alguns casos mais radicais, tentam proibir, e o jovem descobre que sexo é bom, a conclusão que ele tira disso é que os pais mentiram ou na melhor das hipóteses, omitiram. O mesmo acaba se dando com a droga, que na maioria dos casos, traz muito prazer ao usuário, o que leva o jovem, que não considera o perigo do vício e a propagação do tráfico e da violência, itens que podem vir junto com esse prazer, assim como uma gravidez indesejada ou DSTs podem vir de sexo descuidado. Mas a conclusão do jovem acaba sendo a mesma: mais uma vez seus pais mentiram ou omitiram fatos sobre a droga, ou seja, não se pode confiar nos adultos.

A conclusão na cabeça da maioria dos novos usuários de drogas acaba sendo a seguinte: a droga, assim, como o sexo, é boa. Se fosse ruim como falam, ninguém usaria.


Quase 90% de todas as notas que circulam nos grandes centros urbanos dos EUA contém traços de cocaína.


O problema de qualquer droga, assim como no álcool ou tabaco, está na quantidade.

Pesquisas comprovam que em relação ao cigarro de maconha, mais de 90% dos usuários a utilizam apenas para fins recreativos em reuniões sociais. Para a cocaína, a média ficou em 65%.
Todos sabem que a cocaína tem um poder de vício maior do que a maconha. De qualquer forma, enquanto o usuário não fizer de qualquer droga um prazer solitário, as chances dele se tornar um viciado são pequenas. Um sinal básico de que o usuário começa a perder o controle sobre a droga é quando precisa utilizá-la sozinho, acabando com sua característica social. Como 99% dos fumantes...

Acredito piamente que a legalização das drogas acabaria em poucas semanas ou meses com toda a corrupção e a violência gerada pelo tráfico. A legalização geraria centenas de milhões em impostos (U$ 300 bilhões por ano é o que gera o tráfico no mundo todo) que poderiam ser aplicados na saúde (claro, uma parte seria desviada pela corrupção endêmica do país) que poderiam ser usados para curar viciados. Alguém pode achar que usar esse dinheiro justamente para tratar viciados é um absurdo, mas o governo taxa as bebidas e o cigarro e utiliza justamente parte desse dinheiro no tratamento de alcoólatras e tratamentos de câncer decorrentes do uso do cigarro. Ou seja, em termos de compromisso com a saúde, não mudaria nada.


Este gráfico honesto mostra o poder de vício e letalidade de cada droga.


Hospitais e farmácias venderiam as drogas limpas (sem misturas perigosas feitas pelos traficantes), que seriam menos prejudiciais e viriam com bulas informativas, advertindo seus usuários de todos os efeitos colaterais possíveis. As TVs abertas finalmente poderiam falar toda a verdade sobre as drogas, mostrando os dois lados da moeda, sem precisar fazer sensacionalismo e nem ser acusada de fazer apologia das mesmas.

Os usuários, principalmente os recreacionais, não precisariam mais se sentir como marginais e nem ser tratados como tal pela polícia e pela sociedade.

E os governos mundiais deixariam de manter a indústria fracassada da guerra contra as drogas, que custa só aos cofres públicos americanos, U$ 50 bilhões ao ano.

Se a guerra as drogas fosse uma iniciativa privada, a empresa responsável teria pedido falência no primeiro ano de funcionamento, visto que ela teria apresentando um balanço bastante negativo em relação ao investimento feito. Agora, imagine que isso vem acontecendo há décadas. É dinheiro que bastaria para acabar com a fome no mundo inteiro, mas por algum motivo osbscuro, os políticos acham que é melhor usar esse dinheiro todo em armamentos e em campanhas fajutas para tentar manter o coitadinho do povo afastado das drogas. Agora você me diz... algum dia isso deu certo?

É fato indiscutível que as pessoas consomem novos tipos de drogas a cada dia que passa e o modo como quase todos os governos do planeta estão tratando disso há um século não está funcionando.
Na verdade, nunca funcionou. O fiasco da “Lei Seca” nos Estados Unidos provou isso, mas todo mundo ainda faz vista grossa com relação ao fracasso da guerra contra as drogas, embora isso tenha sido admitido recentemente pela ONU em uma conferência internacional sobre o assunto.


Em um país corrupto, injusto e mal-governado como o Brasil, prender traficantes como Fernadinho Beira-Mar é tapar o Sol com uma peneira.

A “Lei Seca” ocorreu entre 1920 e 1933, quando bebidas alcoólicas passaram a ser ilegais. Isso deu origem a milhares de bares clandestinos que não pagavam impostos, tráfico de bebidas e claro, muita corrupção e violência, que antes inexistia por causa da bebida. Al Capone, um dos gângsters mais famosos dos EUA, não teria existido se não fosse pela “Lei Seca”. Fora as milhares de mortes causadas pela violência, estima-se que 10.000 americanos morreram simplesmente por consumirem bebida estragada, já que não havia controle sanitário algum sobre as destilarias clandestinas.

Isso prova que o povo, independente se for proibida ou não, sente necessidade de drogas de qualquer tipo. E o governo e as classes dominantes, que são sempre as que decidem pela proibição disso ou daquilo, geralmente são as que mais desrespeitam a lei.

Então, torço para que um dia nossa sociedade deixe de ser hipócrita e mentirosa e tome uma direção diferente em relação ao modo como tratamos as drogas e os usuários.
Voltar aos tempos tribais é impossível para nós agora, mas certamente há alternativas viáveis que não precisem levar a cultos como o do Santo Daime.


Depois de décadas, finalmente uma campanha com alguma informação verdadeira, mas que ainda assim coloca a culpa no consumidor e não no sistema político que permite o tráfico atráves da proibição..


Eu, particularmente, não consumo drogas, incluindo aí o álcool e o tabaco, pois sei que meu maior patrimônio é minha saúde e principalmente, meus neurônios. E desde crainça acredito no ideal grego de "Mente sã, corpo são". Para não dizer que estou mentindo, eu até bebo alguma coisa, mas o que eu bebo em um ano, é o equivalente que um homem da minha idade bebe em um happy hour com os amigos.

E apesar disso soar um tanto conspiratório, acredito que qualquer droga utilizada na sociedade ocidental sem um propósito educacional, científico, místico ou filosófico, serve apenas para entorpecer a mente da população e das pessoas para que elas deixem de pensar em seus problemas, nos outros e na sociedade em geral. Para mim, nada é mais patético (ou engraçado) do que ver gente alcoolizada ou drogada tentando filosofar sobre seus problemas e os do mundo. E não poderia deixar de mencionar que é entre os 15 e os 25 anos que alguns de nós temos energia e garra para tentar, mesmo que minimamente, mudar o mundo. E é justamente nessa faixa de idade que a maioria mais se afunda nas drogas. E na maioria das vezes, as drogas são justamente aquela fuga temporária dos problemas que continuam sem ser resolvidos e podem ser ainda mais agravados se o usuário acabar viciado. E assim nada se resolve, nada se faz e tudo fica do jeito como está há milhares de anos. Ou seja, do jeito que eles querem.

Quando não fazemos parte da solução, quase sempre acabamos como parte do problema.


Quer saber mais?

Tudo o que você sempre quis saber sobre a Maconha e mais ainda. Excelente matéria da Superinteressante.


ENQUANTO ISSO...

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E confira um divertido curta sobre o que aconteceria se os filmes do anos 80 e 90 tivessem celulares. Lá no meu blog no site da CAPRICHO.

5 comentários:

Alline Bernardes disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
Alline Bernardes disse...

Olá Jerri, este post tem assunto ideal!Concordo com vc, espero mesmo que o trafico tenha fim, e nao entendo pq a legalizaçao ainda nao aconteceu.. provavelmente é apenas mais um controle que os traficantes tem. nao sei.
Beijos !!

Ariél disse...

Olá Jerri ,adorei a matéria.Além de interessante ,foi muito bem abordada!
Há algum tempo atrás ,escrevi um artigo na aula de Redação,ou seja,é muito amador.Mas,se você puder dar uma passada pelo meu blog no Recanto das Letras ,ficaria muito agradecida (http://recantodasletras.uol.com.br/artigos/2434483).
Sucesso ainda mais pra você! Beijos.

Liz disse...

Putz, muito interessante o texto! Até hoje eu não sabia como me posicionar em relação à liberação de algumas drogas e outros temas relacionados a tal, mas seu texto ajudou muito na formação da minha opinião. Estou pensando em fazer referência a esse post no me blog, mas prometo dar os devidos créditos, ok?
:*

Isabella disse...

Nossa Jerri, postagem bem interessante. Eu só estava procurando um outro post e comecei a ler esse, tive que ler até ao fim. Deu pra entender direitinho. Antes de ler isso, eu era contra a legalização das drogas, mas agora concordo com você! ;)