sábado, 3 de maio de 2014

JERRI DIAS de A – Z – A Autobiografia

Copacabana, janeiro de 1974.
Meu irmão Jacques, eu, minha irmã Jacqueline e nossa mãe Geni.
Na época da Ditadura, mulheres não podiam andar expostas e tinham que se cobrir com toalhas. Até mesmo minha irmã de 4 anos tinha que se dar ao respeito para não ser chamada de vadia.


F de FÉRIAS FRUSTRADAS

As primeiras férias de que me lembro foi uma vez que foi toda a minha família para o Rio de Janeiro. Eu já tinha quase 7 anos, mas todas as minhas “férias” anteriores eu tinha passado na praia vendendo pãezinhos feitos pela minha mãe. Os pãezinhos vendiam tão bem, que eu nunca parava de trabalhar, pois alguém tinha que pagar o aluguel da casinha que meus pais alugavam na praia. Mas lá na cidade maravilhosa minha mãe ia passear e não ficar fazendo pãezinhos pra eu vender. Ficamos na casa de um amigo do meu pai, que nos recebeu com o almoço pronto: Bife de fígado! Arghhh! Quase vomitei! E a comida não melhorou muito depois disso, minha única folga era quando a gente comia um pastel de vento num boteco, aquele que você morde e vêm uma brisa de ar quente e o cheiro da carne moída que deveria estar lá. Mas fizemos o tour completo, andamos de bondinho... quer dizer, meu pai e minha mãe andaram. Como era muito caro eles me deixaram cuidando dos meus dois irmãos lá embaixo. Eles até bateram uma foto nossa da gente chorando enquanto o bondinho subia... Mas o ponto máximo dessas férias foi quando eles nos levaram pra ver um show proibido pra menores! Eram “Os Secos e Molhados”, a antiga banda do Ney Matogrosso. Eu não tinha a menor idéia de quem eram aquelas criaturas pintadas e cantando com voz em falsete. Mas chegando lá não nos deixaram entrar, era época da ditadura militar e a censura era rigorosa. Malditos militares! Naquela hora deu vontade de entrar para a resistência armada junto com a futura presidenta Dilma. A gente acabou olhando o show por baixo da fresta da porta do teatro, enquanto meus pais assistiam do lado de dentro. Depois meu pai usou a gente pra conseguir entrar nos bastidores pra pedir um autógrafo. Até hoje ele guarda esse autógrafo e conta emocionado como o Ney Matogrosso deu em cima dele. Minha mãe que não gostou.


No próximo capítulo: G de GALÃ (ah, acharam que ia ser de G de Gay, né?)


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