sábado, 26 de março de 2011

COMO MATAR SEU NAMORADO – Crítica

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Sinopse

Garota adolescente e frustrada com a vida se apaixona por rapaz rebelde sem causa e juntos saem fazendo barbaridades Inglaterra afora.

Os autores


Grant Morrison é um dos escritores de quadrinhos mais criativos e malucos que você terá a oportunidade de ler em editoras tradicionais como a DC Comics. Autor de ASILO ARKHAM, a saga do HOMEM-ANIMAL e AS NOVAS AVENTURAS DE HITLER, Morrison, junto com Alan Moore e Neil Gaiman, compõe s Santíssima Trindade dos autores ingleses de quadrinhos.



Philip Bond começou a ser notado pelo grande público no final dos anos 80, através da revista DEADLINE. Seu traço claro e atento aos detalhes dos arredores da ação já serviu para dar vida a edições de TANK GIRL, HELLBLAZER e OS INVISÍVEIS.

A Graphic Novel

COMO MATAR SEU NAMORADO é um gibi dos tempos que correm. A ação do gibi e os próprios personagens remetem a filmes como ASSASINOS POR NATUREZA, BONNIE & CLYDE, VIOLÊNCIA GRATUITA.

A garota, frustrada com a escola, namorado, com os pais e com a vida, não tem um nome para ela porque o autor deve ter achado que como quase toda garota tem esse tipo de comportamento em algum período de sua adolescência, sua personagem seria mais um símbolo de (quase) todas as garotas de classe média do mundo ocidental capitalista: meninas sem objetivo e que, como diz a música de Cindy Lauper, “just want to have fun!”



Também não tem identificação o rapaz rebelde, que também serve de símbolo para a juventude inconseqüente e amoral do século XX e XXI.

Por isso, é praticamente impossível não se identificar com os dois personagens em alguns momentos, mesmo que seja só no nível do desejo de fazer algumas das coisas que eles fazem.

Mas longe de julgar seus personagens, Morrison e Bond apenas nos permitem acompanhar suas desventuras ao mesmo tempo em que não deixam de mostrar a sociedade falida que cria e mantém jovens e adultos frustrados e traumatizados num círculo vicioso sem fim.



A narração debochada e bem-humorada da garota, que como em CURTINDO A VIDA ADOIDADO, fala diretamente com o leitor sobre o que está pensando e o que está ocorrendo, confere ao gibi uma carga extraordinariamente leve ao tratar de roubos, assassinatos, terrorismo, insinuação à pedofilia, homossexualismo e incesto, entre outras coisas. Niilistas e hedonistas radicais, o casal de protagonistas faz o que quer, quando quer e não se importa com o que acontece com os outros e nem com eles.

Nas páginas finais, uma simples declaração casual do jovem rapaz torna a narrativa ainda mais irônica e mostra que os pecados da juventude podem sempre voltar para cobrar sua dívida.




No final, (nitidamente inspirado no filme MONTENEGRO) 10 anos depois, a garota, já casada e com filha, mostra que as coisas podem até mudar, mas que algumas pessoas não.


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USADO

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