quinta-feira, 1 de maio de 2008

THE BOYS – O Lado (muito) Podre dos Super-Heróis


Quer ver o lado podre das pessoas comuns ? E dos super-heróis? Quer ver também?! Então, The Boys (Os Rapazes), da dupla Garth Ennis e Darick Robertson é a série que você deveria estar lendo neste momento. Situada num mundo onde a Brooklyn Bridge foi destruída e o World Trade Center continua de pé, humanos transformados em “super-heróis” graças a engenharia genética e poderosas drogas, fazem o que bem entendem enquanto a sociedade e o governo fazem vista grossa para quase todas as burradas, atrocidades e crimes que eles cometem. Mas alguém tem que “vigiar os vigilantes” e para isso a CIA cria uma divisão secreta chamada Os Rapazes, cinco super-agentes encarregados de chantagear, surrar ou mesmo assassinar super-heróis que saem (demais) da linha.

Como sempre, Ennis cria personagens interessantes e tramas aparentemente simples, que vão desdobrando-se num emaranhado de conexões que deixam o leitor entusiasmado e angustiado com vislumbres do que está por vir.

Violência extrema, humor politicamente incorreto, perversões sexuais e um texto afiado recheado de citações pop é o que você encontra nessa paródia do mundo dos super-heróis. Versões decadentes e imorais da Liga da Justiça e Os Vingadores são retratadas mais preocupadas com merchandising e em assediar sexualmente novos membros de suas equipes do que em realizar qualquer ato heróico. Mais ou menos o que aconteceria se pessoas aleatórias fossem alçadas ao patamar de semi-deuses. Afinal, para que ser um super-vilão, se como super-herói você pode fazer o que bem entende que o governo e as empresas cobrem tudo?! É como ouvi dizer certa vez: “Você tira a pessoa da favela, mas não tira a favela da pessoa.”

O fato de Ennis trabalhar com muitas situações sexuais (das mais conservadoras às mais bizarras e engraçadas) pode incomodar certas pessoas e talvez num primeiro momento você até pode achar que homossexualismo = perversão no dicionário de Ennis, mas isso logo se dissipa quando mais adiante você topa com personagens gays que são tão normais quanto você. Assumindo que você que está lendo esse texto, é normal.

Alguns críticos e fãs acham que Ennis está se repetindo demais ao exacerbar em demasia o cinismo, a hipocrisia e a violência em seus personagens. Mas se você fizer as contas no papel, vai descobrir que 90% das publicações de super-heróis ou similares são voltadas para um bom-mocismo e um patriotismo tão irreais quanto cretinos. Os outros 10% sobram para caras como Garth Ennis, Neil Gaiman Alan Moore, Mark Millar e Warren Ellis, que apesar de estarem no outro extremo, pelo menos são inteligentes e honestos com o leitor. E afinal, alguém tem que fazer esse trabalho sujo.

As ilustrações de Robertson servem bem à crueza e decadência dos personagens e situações apresentados. Mas cabe ressaltar aqui, que como roteirista que sou, minha análise sobre a arte de ilustradores é baseada meramente em um parco conhecimento de arte e um senso de estética puramente pessoal. Ou seja, minha opinião é tão válida quanto a sua, caro leitor(a).

AVISO: Esta obra é voltada para leitores maduros. Se por algum motivo, você ainda não sente preparado(a) para os fatos grotescos e estranhos da vida, sugiro a leitura de HITMAN, uma série mais debochada e light do mesmo autor.

4 comentários:

Martha Barbosa disse...

Quem não gosta as vezes de saber o lado podre das pessoas?
Esta obra, tem mais super- herois que devem ser punidos? Adorei teu blog, com sempre, volto aqui. marthacorreaonline.blogspot.com

Daniel Souza Luz disse...

Fala aí.
Li o texto devido ao link que você deixou na comunidade que fiz para o Garth Ennis no orkut.
Valeu e muito pela dica e que bom que existe essa galera que traduziu e disponibilizou a parada. Na real, não tenho acompanhado muito o trabalho do Ennis, porque fico tempo demais no trampo e tenho trocentos outros compromissos, restando pouco tempo para ler tudo que gosto. Seu texto me deixou muito curioso sobre a HQ, assim que puder vou baixá-la (os downloads estão bloqueados no período de serviço).
Falou, abraço.

Anderson ANDF disse...

Ainda não terminei de ler esta série e a derivada que é focada no Hughie Mijão (que mesmo escocês, acho a cara do Simon Pegg).

Jerri Dias disse...

Pois é, Anderson, você acertou, o Hughie é o Simon Pegg. É ele a referência para o Hughie segundo os autores. :-)