terça-feira, 10 de abril de 2012

QUARTETO FANTÁSTICO (OS ANOS KIRBY/LEE) – Comics

                                                                               Para a posteridade.

Os super-heróis

O Quarteto Fantástico são um grupo de super-heróis criados cuja formação original inclui Reed Richards (Sr. Fantástico), Johnny Storm (Tocha Humana), Susan Storm/Richards (Mulher Invisível) e Ben Grimm (Coisa).

Os autores

Jack Kirby (1917 – 1994)


                                                                                         Auto-retrato do Rei.


Em atividade no mundo dos quadrinhos desde 1936, Kirby foi o responsável pela capa de CAPITÃO AMÉRICA nº 1 (1941), junto com Joe Simon. Durante as décadas seguintes, sua pena ilustraria todo tipo de narrativas, desde quadrinhos românticos até ficções-científicas de monstros espaciais. Antes de sua parceria com Stan Lee, Kirby trabalhava entre 12 à 14 horas por dia, produzindo entre 8 e 10 páginas por dia, dado o baixo valor que as editoras pagavam por página naqueles dias. Com sua entrada na Marvel e a parceria com Stan Lee na criação de QUARTETO FANTÁSTICO, HULK, X-MEN, THOR, HOMEM DE FERRO e vários outros, a situação financeira de Kirby melhorou, mas sua insatisfação com os créditos de criação o levaram a sair da MARVEL em 1970. Mais tarde, Kirby declararia ser a verdadeira mente criativa por trás da maioria dos personagens criados nos anos 60 pela dupla. Essa afirmações foram contestadas por Stan Lee, mas o fato é que Kirby continuou criando personagens memoráveis para a DC COMICS  nos anos 70, enquanto Lee demonstrou uma certa incapacidade em criar super-heróis interessantes sem um parceiro criativo como Kirby ou Steve Ditko (HOMEM-ARANHA), que também reclamou direitos de criação sobre o aracnídeo.

Stan Lee ( 1922 - )

                                        Em 1975, na Comiccon de San Diego, fazendo pose de super-herói bêbado.


Iniciou sua carreira como escritor de quadrinhos escrevendo CAPITÃO AMÉRICA nº3 (1941). Como a maioria dos escritores de quadrinhos de super-heróis até o advento de Alan Moore e Neil Gaiman, Lee escrevia basicamente argumentos de meia página para uma edição de 24 páginas. O desenhista criava toda a narrativa visual baseado naquelas poucas linhas e então Lee escrevia a narração e os diálogos, baseado no que o desenhista havia feito. Nos anos 60 isso ficou conhecido como o MÉTODO MARVEL. Antes de criar o QUARTETO FANTÁSTICO com Kirby, Lee estava prestes a largar o insatisfatório mundo dos quadrinhos, que era muito infantil para alguém que aspirava ser um escritor de livros na época. Mas ao ser chamado para criar um grupo de super-heróis para competir com A LIGA DA JUSTIÇA da DC COMICS, Lee chamou Kirby e com base no método descrito acima, o QUARTETO FANTÁSTICO ganhou vida. Mas vale lembrar que Lee é o responsável por aproximar os super-heróis da realidade, fazendo com que eles enfrentassem problemas reais como a falta de dinheiro para pagar aluguel, pegar gripes, sentir inveja uns dos outros, insegurança, medo, e acima de tudo, conseguiu mostrar que o que definia os heróis da MARVEL não eram seus poderes extraordinários, mas sim sua humanidade. Ou como o próprio Lee colocou “seus pés de barro”.     

Os quadrinhos


                                                                              A edição que deu origem ao universo MARVEL.


Lançado em 1961, o QUARTETO FANTÁSTICO era um grupo como nenhum outro na época. Apesar da ingenuidade das primeiras tramas e dos diálogos pueris e auto-explicativos em relação à arte, a dobradinha Kirby/Lee provou-se superior à da rival DC Comics, com seus heróis perfeitos e ainda vivendo em um universo infantil. O QUARTETO FANTÁSTICO abriu terreno para o HOMEM-ARANHA, THOR, HOMEM DE FERRO, HULK e todos os outros que viriam logo após. Os quadrinhos de super-heróis finalmente chegavam a puberdade. Em uma década já acostumada com a TV e com a revolução tecnológica, os heróis de Kirby/Lee tinham como líder justamente um cientista cujo cérebro parecia ser tão expansivo tanto quanto seus membros elásticos; um adolescente de personalidade volátil com capacidade de combustão espontânea quase sem limites; sua tímida irmã que se tornava invisível e um piloto de provas metido a durão cuja transformação em um rocha ambulante externaria justamente o que ele tentava mostrar-se aos outros. Não sei até que ponto os personagens foram projetados dessa forma por Kirby/Lee ou se algumas peças simplesmente encaixaram-se sozinhas, como frequentemente acontece nesse meio.



                                      Parece uma capa de uma das edições da EBAL nos anos 70,  mas não é.


Diferente das histórias da LIGA DA JUSTIÇA, SUPERMAN ou BATMAN, as histórias do QUARTETO FANTÁSTICO e de outros quadrinhos da MARVEL apresentavam outro diferencial importante. Elas não só começaram a interagir entre elas, como fatos (às vezes nem tão importantes) acontecidos em edições anteriores tinham conseqüências meses depois. NA DC COMICS, um herói qualquer podia até mesmo morrer numa edição que na edição seguinte ninguém sequer mencionaria o fato. A MARVEL criou a continuidade nos quadrinhos de super-heróis. A vida dos heróis continuava na edição seguinte, ela não recomeçava como na editora rival. A vida avançava, os heróis cresciam, amadureciam, tinham filhos e até mesmo ficavam velhos. Claro, o tempo dos super-heróis é, se formos fazer uma média, 1 ano para cada 5 dos nossos. Mas nos 102 números que Kirby/Lee atuaram lado a lado com O QUARTETO FANTÁSTICO, Johnny Storm foi para a faculdade, teve uma namorada atrás da outra, junto com as naturais decepções e tragédias amorosoas no mundo dos quadrinhos; Ben Grimm teve crises existenciais e depressivas por causa de sua aparência monstruosa que lhe impedia de ter uma mulher, mas acabou arranjando uma namorada cega; Reed Richards se envolveu cada vez mais com sua ciência e várias de suas descobertas e inventos foram espalhadas para o UNIVERSO MARVEL e Susan Storm deixou a insegurança de lado ao ampliar seus poderes, tornou-se a Sra. Richards e teve um filho mutante com Reed. Isso tudo em apenas 10 anos. Na DC COMICS, mudanças como essas na vida dos super-heróis da editora levaram algo entre 40 e 60 anos.



                                    Quando a RGE publicou os heróis, optou pela tradução literal do grupo.

Por serem super-heróis mutáveis como os próprios leitores adolescentes que os liam e que logo se tornariam adultos, o QUARTETO FANTÁSTICO soube crescer com seus leitores até eles se tornaram jovens adultos. Um feito que poucos quadrinhos de super-heróis podem dizer que conseguiram. No final dos anos 60, o arco de histórias apresentando Galactus e o Surfista Prateado era extremamente popular entre universitários. O personagem, algum tempo depois, se tornaria o porta-voz da MARVEL na era do Paz e Amor sob a batuta de Stan Lee e John Buscema.


Como se vê pela ilustração, parte da saga do Surfista Prateado dos anos 60 foi aproveitada no longa O QUARTETO FANTÁSTICO E O SURFISTA PRATEADO (2007).

Nos últimos anos da era de ouro da associação Kirby/Lee, Kirby estava no auge de sua criatividade usando foto-montagens, criando coreografias de lutas tão impactantes e explosivas que o leitor poderia jurar que tinham som e um domínio da arte seqüencial comparável ao de Will Eisner. E do seu lado, Lee aprimorava seu texto limitado incluindo fatos e criando personagens (junto com Kirby) conectados com as mudanças sociais na América, como o primeiro super-herói negro (PANTERA NEGRA) ou o citado SURFISTA PRATEADO.


      Inspirado no movimento político radical OS PANTERAS NEGRAS, surge o primeiro super-herói negro para as massas.



Por esses e outros motivos que os leitores só descobrirão lendo as aventuras do QUARTETO FANTÁSTICO de Kirby/Lee, é que ambos estabeleceram uma base sólida para tramas criativas que fez com que outros bons autores como John Byrne e Mark Millar se mostrassem interessados em trabalhar com o quarteto mais famoso dos quadrinhos e tentarem elevar o excelente padrão de qualidade que essas duas lendas dos quadrinhos conseguiram dar aos super-heróis.


     As inovadoras foto-montagens de Kirby nos anos 60, totalmente em sintonia com o psicodelismo e a arte pop da época.    

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